Antecedentes

I’m the hero of the story
Don’t need to be saved
- Regina Spektor, Hero
René Magritte, La Réproduction Interdite (Divulgação)

Eu sempre digo à todos que eu não sou boa pessoa. O motivo é obvio: eu não acho que ninguém seja uma boa pessoa, todos vão fazer coisas ruins uma hora, alguém vai machucar alguém e não vai ser algo legal de ver, todos vão querer tirar vantagem dos outros alguma hora e eu prefiro não viver na hipocrisia mentindo. Isso não quer dizer que eu faça maldade por ai a vontade, pelo contrario. Acho que o melhor dos dois mundos é procurar sempre evitar essas coisas, mas não deixar de admitir que você pode falhar a qualquer momento. De qualquer jeito, esteja preparado para quando eu cair.


Eu não tive um blog na época que isso era o suprassumo da internet porque não tinha computador. Acho que ainda estou correndo atrás dessa falta de experiencia que todo mundo da minha geração teve com ideias absurdas como fazer um diário publico. Não me permito acreditar que a internet não têm mais espaço para a reflexão através das escrita, coisa que acontecia nos anos 2000, mesmo que minimamente. O problema é que eu estou começando a não acreditar que a internet de espaço para a reflexão de forma geral.


Se tem um aspecto da minha vida onde eu falhei muito, foi em relacionamentos amorosos. Eu sempre fui a Summer de 500 Dias com Ela, e elas o Tom. Eu nunca namorei uma garota por quem eu estivesse perdidamente apaixonado. Hoje em dia eu digo a mim mesmo que eu só posso pensar em namorar com alguém caso essa pessoa seja especial demais para mim. Eu não acredito em amor a primeira vista, alma gêmea, nem na interpretação de amor gerado pela filosofia ocidental, o que torna tudo mais difícil. Seria mais fácil só eu não ser um filho da puta, mas eu não consigo lidar bem com quem me ama sem reciprocidade.


Ainda há pessoas escrevendo coisas incríveis na internet, e tendo seus blogs como veículos principais e independentes para divulgar suas ideias e opiniões interessantes. Eu acompanho três deles, e diria que são as principais inspirações para a criação desse diário. O Livros Abertos é o blog da Camila Von Holdefer, crítica de literatura e minha paixão platônica mais forte no território brasileiro. Ela também escreve para a Folha de São Paulo e para o IMS, mas em nenhum lugar ela é tão genial e interessante quanto nos seus posts quilométricos sobre os livros da atualidade, além de ser grande pensadora do papel da critica e da leitura de bons livros. O Mundo Fantasmo é o blog do escritor e musico Braulio Tavares, grande nordestino e pesquisador de literatura de cordel, futebol, repente e ficção cientifica, reunindo tudo isso e muito mais no seu blog que tem mais de 4000 posts. Por fim o blog Um Túnel no Fim da Luz (como eu queria ter pensado num nome desse) é comandado pelo pesquisador de literatura Kelvin Falcão Klein, que publica rápidas e carregadas reflexões sobre o que anda lendo ou pesquisando, geralmente envolvendo varios dos meus escritores favoritos como Kafka, Bolaño, Villas-Matas, Canetti e etc.


Essa ultima parte pareceu muito um post comum de blog. Acontece que eu falaria de coisas que eu leio num diário particular de qualquer maneira, então foda-se.


Eu também não sou a melhor pessoa com conhecidos. Principalmente se eu vejo a pessoa com muita regularidade por algum motivo de força maior, como faculdade ou trabalho. Tem vezes que eu simplesmente não dou oi, e não é porque eu estou bolado ou não quero mais falar com a pessoa, e sim porque eu não estava animado ou com proatividade o suficiente para dar oi. Isso agrava cem vezes se eu não queria ter falado com aquela pessoa em primeiro lugar.


Eu decidi fazer esse diário no mesmo dia em que fiz a primeira entrada. Estava tomando banho e de novo tinha um milhão de pensamentos passando pela minha cabeça, principalmente sobre coisas que eu queria falar para os outros e não conseguia, por medo de se afastarem de mim por eu incomodar elas demais, como eu acho que aconteceu recentemente com a Fernanda. Eu queria ser uma pessoa normal com confiança para falar com as pessoas no Facebook ou no Whatsapp sobre o que eu quero e depois seguir a vida numa boa, mas eu sou muito ansioso e preciso conversar para sempre depois que eu começo, se não eu acho que tem algo de errado. Felizmente o papel em branco não responde, só aceita.

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