Fichamento sobre os fragmentos de “O Manual do Jornalismo de Dados”

Víctor Castro
Sep 4, 2018 · 4 min read

“Por que o Jornalismo de Dados é importante?”

“Quando a informação era escassa, a maior parte de nossos esforços estavam voltados à caçar e reunir dados. Agora que a informação é abundante, processá-la tornou-se mais importante. O processamento acontece em dois níveis: 1) análise para entender e estruturar um fluxo infinito de dados e 2) apresentação para fazer com que os dados mais importantes e relevantes cheguem ao consumidor. Como acontece na ciência, o jornalismo de dados revela seus métodos e apresenta seus resultados de uma forma que possam ser replicados.

Philip Meyer, Professor Emérito da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill”

O professor Philip relata a evolução do acesso à informação e a articula ao Jornalismo de Dados a importância de filtrar esse excesso de informações trazidos, na contemporaneidade, principalmente, pela modernização tecnológica.

“O jornalismo de dados é um termo que, ao meu ver, engloba um conjunto cada vez maior de ferramentas, técnicas e abordagens para contar histórias. Pode incluir desde a Reportagem com o Auxílio do Computador (RAC, que usa dados como uma “fonte”) até as mais avançadas visualizações de dados e aplicativos de notícias. O objetivo em comum é jornalístico: proporcionar informação e análise para ajudar a nos informar melhor sobre as questões importantes do dia.

Aron Pilhofer, New York Times”

Aron Pilhofer, jornalista do The New York Times, ressalta as vantagens do jornalismo de dados como um instrumento para enriquecer a cobertura jornalística, o que pode nos levar à conclusão, visto que o resultado trazido por Aron é um ato de informar mais eficaz, ao aumento da credibilidade do jornalista com relação ao leitor.

“O jornalismo movido por dados é o futuro. Os jornalistas precisam ser conhecedores dos dados. Costumava-se conseguir novas reportagens conversando com pessoas em bares; e pode ser que, às vezes, você continue fazendo isso. Mas agora isso também é possível se debruçando sobre dados e se equipando com as ferramentas corretas para analisá-los e identificar o que há de interessante ali. Tendo isso em perspectiva, é possível ajudar as pessoas a descobrir como todas essas informações se encaixam e o que está acontecendo no país.

Tim Berners-Lee, fundador da World Wide Web (WWW)”

Tim Berners-Lee nos traz uma visão mais macro do Jornalismo Guiado Por Dados, haja vista sua articulação com a realidade prévia e relação com o cotidiano. Para ele, utilizando as ferramentas corretas, é possível democratizar a informação do que está acontecendo no país.

“Fazer bom jornalismo de dados é difícil porque o bom jornalismo é difícil. Significa descobrir como obter os dados, entendê-los e encontrar a história. Às vezes há becos sem saída e não há uma grande reportagem. Afinal, se fosse apenas uma questão de pressionar um botão certo, não seria jornalismo. Mas é isso o que faz o jornalismo de dados valer à pena e, em um mundo onde nossas vidas estão cada vez mais compostas por dados, a área torna-se essencial para uma sociedade justa e livre.

Chris Taggart, OpenCorporates”

Ressaltando a dificuldade — inclusive. nos dias atuais, para alguns, raridade — do bom jornalismo, Chris Taggart distancia o JGD (Jornalismo Guiado Por Dados) da ideia de automação, tendo em vista que ser um jornalismo mais tecnológico não significa apertar um botão e ter o resultado pronto. Além disso, o jornalista destaca como as nossas vidas são compostas por dados e como eles podem ser úteis para a, já supracitado, democratização do acesso à informação.

“O jornalismo guiado por dados numa perspectiva brasileira”

“Um indício da crescente importância das bases de dados para as redações ao longo da década de 2000 está na lista de vencedores do Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa, vencido em 2002 e 2006 por Fernando Rodrigues, pelo arquivo de declarações de bens de políticos brasileiros Controle Público e pelo livro “Políticos do Brasil”, respectivamente; pela Transparência Brasil, em 2006, e pela Contas Abertas, em 2007. Em 2010, a reportagem vencedora do Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro, foi a série “Díários Secretos”, publicada pela Gazeta do Povo, do Paraná. Para elucidar os movimentos de contratação de funcionários na Assembleia Legislativa do Paraná, os repórteres construíram um banco de dados com todas as nomeações realizadas pela casa entre 2006 e 2010, a partir de diários oficiais impressos. Cruzando os dados no software para criação de planilhas Microsoft Excel, puderam descobrir casos de contratação de funcionários-fantasmas e nepotismo.”

Ressaltando a importância crescente da base dos dados para as redações a partir da virada do milênio, o autor cita o trabalho de Fernando Rodrigues, relacionado à transparência fiscal dos políticos brasileiros. Ele ganhou o Prêmio Esso em 2002 e 2006 com essa temática. Além dele, a série “Diários Secretos”, premiada em 2010, teve um papel importantíssimo na disseminação do JGD, identificando casos de contratação de funcionários-fantasmas e nepotismo.

Existe jornalismo de dados e visualização no Brasil?

“Quem sabe, talvez sejam estes hackers, desenvolvedores, designers, jornalistas independentes, organizações não governamentais, e fundações os que ocupem um espaço hoje quase vazio, e os que cumpram uma parte importante da tarefa de informação pública que, em tempos anteriores, correspondeu à mídia tradicional. O futuro promete, em qualquer caso.

Alberto Cairo, Universidade de Miami”

Trazendo até um certo caráter revolucionário, Alberto Cairo traz à tona a visão de seres “à margem” da mídia tradicional — hackers, desenvolvedores, designers, jornalistas independentes… — como agentes transformadores do acesso às informações que certos grupos não gostariam que fossem divulgadas à população em geral.

Víctor Castro

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