Comida de Rua

É incrível o quão fascinante a comida de rua consegue ser, aquela comprada na barraquinha do baiano que sempre estava por perto da escola na hora da saída. Ou aquele pastel da rodoviária, que apesar de não estar literalmente na rua, não consigo classificar como outro tipo de comida. Também entram nessa lista espetinhos, tapiocas, milho verde, pipoca, churros e o famoso dogão, salvador da pátria em muitos bares da vida.

Existe algo místico em toda a atmosfera que envolve as comidas de rua, desde a conversa com o dono da banca, passando pelos cheiros e sons que acompanham o preparo, até a hora de se comer. Eu honestamente não sei o que torna a comida de rua tão diferente, talvez até melhor, do que a comida que se prepara nos restaurantes. Provavelmente é a salmonela.

Hoje mesmo, voltando de noite para casa, desci do ônibus e já senti o cheiro que me tortura seis noites por semana: o churrasquinho da rua de casa. Foi um daqueles momentos que você descobre subitamente que está com fome, e que frequentemente acontece quando você está longe de uma fonte de comida, ocupado com alguma coisa ou sem dinheiro.

A cerca de cem metros de casa, a banca está estrategicamente posicionada em um lugar da rua pelo qual é impossível eu não passar. Além disso, o cheiro espetacular e aquela coluna de fumaça constante chama mais atenção do que qualquer banner planejado por uma equipe de marketing. Apesar da vontade, não havia nenhum motivo para eu gastar meus únicos cinco reais na carteira em um espetinho, e eu decidi aguentar firme e passar reto. Como eu sou um cliente assíduo do lugar, seria grosseria passar por ali e não cumprimentar, e enquanto minha mente planejou um “boa noite”, minha boca disse “vê um de frango com bacon, por favor”.

E assim se foram meus últimos cinco reais.

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