O voto em Rafael Greca, dois motivos ruins.

O departamento de vendas da campanha de Rafael Greca está de parabéns!

Alguém com 44 anos completos hoje, tinha 21 anos em 1993. Ninguém com essa idade tem saudades de muita coisa senão da própria juventude. Os que tem acima de 44 podem — eventualmente — dizer que já administravam o seu lar, sustentavam a família etc., ou seja, eram afetados diretamente pela melhor ou pior qualidade do serviço público municipal. Esse último grupo pode, com muito esforço de memória, dizer que as políticas públicas municipais foram eficientes, guardadas as proporções de uma realidade curitibana muito mais provinciana comparada aos dias atuais. Esse grupo etário (44 ou +) explica uma parcela do voto em Rafael Greca, não sua totalidade.

Bom, muito tem se falado que o parcial sucesso de Rafael Greca até agora nas pesquisas se deu pelo saudosismo do #voltaCuritiba. Primeira advertência: isso é bobagem, ela não voltará, e o máximo que trará ao comando da cidade são os medalhões que você já está acostumado a ver desde os tempos de Jaime Lerner. Nem com muita boa vontade Curitiba será minimamente parecida com aquela de 1993.

Nossa percepção tende a imaginar que o passado foi glorioso comparado ao tempo presente. O declinismo é um viés psicológico que acredita na ilusória ideia de que sociedade ou as instituições caminham inexoravelmente para o abismo. É a predisposição cognitiva de que o passado é sempre melhor que o futuro. Basta ampliar um pouquinho sua linha do tempo para ter a prova cabal que as coisas não são assim. Atenha-se, por exemplo, aos índices de mortalidade e alfabetização infantil.

Woody Allen demonstrou esse fenômeno com propriedade em seu filme Meia-noite em Paris. Conforme soavam as badaladas da meia-noite, Owen Wilson, o protagonista, viajava ao passado buscando satisfazer as frustrações de sua vida do presente. Nunca encontrou, é claro. Cada época tem peculiaridades impossíveis de serem repetidas gerações à frente. Os nostálgicos da “velha Curitiba”, acima dos 44 anos, representam 44% dos eleitores, segundo os dados do Ipardes.

Muitos do que compõem o segundo grupo etário (44 ou -), explicam o segundo motivo ruim do voto em Rafael Greca, já que não viveram a “época de ouro” do #voltaCuritiba, são os votos de manada.

Em inglês “bandwagon effect”, melhor traduzido para o português como “efeito manada”, nada mais é senão um viés mental que pode ser explicado pela popular figura do “maria-vai-com-as-outras”. Ivo Holanda fez muito sucesso com aquela pegadinha que, de um minuto ao outro, uma dezena de pessoas vira a esquina na direção contrária ao indivíduo desavisado, que larga tudo rapidamente e corre junto com o bando, sem sequer saber motivo da disparada. É um atalho seguro que o cérebro dispara em situações de ameaça. O racional seria esperar e avaliar os custos e benefícios do pinote em relação ao perigo que espreita a esquina. Herança dos nossos ancestrais mais primitivos, que corriam das manadas de animais. Essa faixa etária representa hoje 56% do eleitorado, conforme os mesmos dados do Ipardes.

Tem muita gente por aí seguindo a turba do voto útil, correndo com a massa dos amigos mais próximos, ou guiados pelos formadores de opinião. Faz parte do jogo. De um jeito ou de outro, as comparações impossíveis são exploradas ao máximo pelos marqueteiros de Rafael Grecca. O departamento de vendas da campanha foi aplicado na matéria de psicologia comportamental. Captaram a cegueira emocional do eleitor médio, ressentido e magoado com o que poderia ter sido nosso “piá bom” Gustavo Fruet. Some-se a isso a péssima e atual situação econômica, que pega a classe média pelo pescoço. Tudo era melhor que hoje, até os tempos que o Interbairros ia até o número II.

Qualquer manual de metodologia for dummies recomenda que comparações entre objetos similares guardem, no mínimo, os mesmos atributos para comparação. É absurdamente ilógico comparar a Curitiba de 1993 com a Curitiba de 2016, sobretudo porque Rafael Greca surfou na onda da “República do IPPUC”, que comandou a gestão da prefeitura municipal por cinco mandatos consecutivos, três de Lerner, um de Rafael Grecca e dois de Cássio Taniguchi. No máximo, e com as ressalvas da própria lógica, poderíamos realizar um exercício de comparação contrafactual: um comparativo mental partindo de uma hipótese falsa, chegando a uma resposta fictícia: “o que teria acontecido se Gustavo Fruet/Rafael Greca não tivessem sido eleitos?” Bom, em 1993 Carlos Simões teria sido prefeito, em 2014, Ratinho Júnior. Todas as outras comparações são especulações pueris.

Pode-se admitir um terceiro motivo para votar em Rafael Greca: o eleitor convicto. Ele acredita que Rafael Greca melhorou Curitiba sozinho de 1993 a 1997; que seus apoiadores são idôneos e honestos; que Rafael Greca sempre teve adesão principiológica aos 05 partidos que se filiou durante sua vida pública; que seu atual partido, o PMN, tem um ótimo projeto político para a Capital. Se você pensa votar em Rafael Greca, e não é um desses convictos, pode ser que esteja em algum dos dois grupos lá de cima: ou é nostálgico, ou tem comportamento de manada.