Preciso aprender a viver o amor real

Amor não é um conto de fadas; mas acreditamos que é

Quando eu era pequeno as crianças não tinham internet, celulares, nem ficavam no Facebook.

Mas ficávamos horas assistindo à TV.

· Desenhos Animados;

· Filmes da Disney;

· Contos de Fadas.

E também líamos. Papel. Não telas com pixels. Olha que loucura…

Não importa se na TV ou no papel, eu sempre esbarrava em uma história de amor.

Sempre!

O casal que se ama, passa por dificuldades, sofre; tentam ficar juntos, sofrem ainda mais; fogem ou ficam separados por anos (ainda sofrendo, se for uma novela mexicana); enfrentam todos que conspiram contra esse amor… E ficam juntos no final (sem antes sofrer mais um pouco — dá ibope).

Quase sempre rola um casamento nos últimos episódios. Depois um flashfoward (interrupção do tempo presente para o tempo futuro) mostrando, anos depois, o casal na praia com um ou dois filhos nos braços.

Fim.

Sabe o pior?

Eu acreditei nisso…

Algo dentro de mim acredita até hoje.

E você também deve acreditar…


Só que na prática percebi que esse amor — que chamarei daqui pra frente de amor romântico ou amor de novela (acho mais fácil de lembrar) — é uma casa de tijolos ocos.

Uma mentira. Mas uma mentira que ainda tem seu papel.

E sempre terá alguém doidinho para atirar pedras nela, pedras do que chamarei de amor real ou de amor severo.

Pedras muitas vezes atiradas sem querer pelo próprio parceiro.

Mas não confunda o amor severo com o amor sofrido, o amor trágico.

São coisas diferentes: o primeiro tem a ver com a forma de se enxergar o amor; o segundo com a forma de lidar com ele.

Claro que tive acesso ao amor trágico também. Esse bem antes do amor real.

Como quando eu li Otelo ainda no ensino fundamental — idade onde eu sequer sabia o que era o ciúme.

(Nesse caso eu apenas li, não vivi.)

Ou quando eu comecei a namorar na terceira série uma garota chamada Aline.

Eu devia ter no máximo seis ou sete anos. Era uma garota magrinha, de cabelos descuidados e quase ninguém olhava para ela.

Bem, eu olhava.

Quando a pedi em namoro foi o momento mais corajoso que um garoto podia ter na terceira série. Afinal que outras aventuras eu teria vivido naquela idade?

Ela me olhou com bondade. Baixou a cabeça. Sorriu e disse “aceito”.

Claro que não ouvi isso na hora. A cena tinha tomado um tom preto e branco, o tempo tinha parado; aos poucos o semblante dela foi tomando cor e o “aceito” era dito em câmera lenta.

A-a-a-a-a-a-a-c-c-e-e-e-e-i-i-i-i-t-t-t-t-o-o-o-o. (Bem arrastado mesmo.)

Fiquei tão eufórico que ao invés de beijá-la (burro!), saí correndo em volta da escola dizendo: “Ela aceitou, ela aceitou. Ela disse sim!”.

Fui embora esbaforido, suado e com os beiços não beijados.

(Burro, burro, burro!)

Mas, e a tragédia?

No último dia de aula, não lembro o motivo (talvez isso seja o pior), acabamos discutindo por bobagem. Falei alto com ela na sala durante o intervalo, na frente de todo mundo.

Estava tão cego de raiva que falei cuspindo na cara dela.

E a fiz chorar…

Claro que não foi isso.

A aula acabou, e não nos vimos mais.

Nunca mais.

Mudei de Guarulhos para São Paulo naquele final de ano.

Na esperança de reencontrá-la, escrevi uma carta de desculpas declarando meu amor por ela. Até a comparei à Mona Lisa (com 7 anos é um feito e tanto!).

Bom. A carta eu perdi na mudança.

Não lembro do sobrenome dela, muito menos do seu rosto.

O que imagino ser o rosto dela nada mais é que um borrão ordinário de um rosto esquecido por mais de vinte anos.

Ainda me arrependo pela última imagem que causei a ela: um garoto em cóleras cuspindo raiva em seu rosto.

Sabe o mais triste? Talvez nem ela se lembre disso.


Somos todos mais apegados ao amor romântico ou sou só eu?

Só eu que:

· Quer acompanhar o crescer dos filhos;

· Ter uma cena de família Doriana todos juntos à mesa pela manhã;

· Envelhecer junto ao amor da sua vida em uma varanda diante do pôr-do-sol ou morrer de mãos dadas num leito de hospital?

Lindo, não?

Acredito que parte disso é, sim, influência dos programas de TV, desenhos e outros canais de entretenimento que insistem a nos empurrar essa visão romântica até bem depois da vida adulta.

Mas não quero culpar apenas o Grande Entertainment. Assistimos a filmes com dragões e bruxos e nem por isso acreditamos neles.

O problema é que não nos falam do amor real até que nos deparamos com ele.

Acham que é algo que acontecerá naturalmente… que aprenderemos a lidar com ele sozinhos.

Como quando os pais não falam com os filhos sobre sexo até que… pimba!

Ou quando ninguém nunca fala conosco sobre a naturalidade da morte. Até que, bem… você sabe.

Só que todos se esquecem dos casos de crianças que engravidam na primeira relação ou de pessoas que, por não lidarem com a morte, recorrem a remédios e psiquiatras a vida inteira.

Tudo porque ninguém nos orientou a enfrentar situações reais.

Imagina então, no amor?


O amor severo é quase sempre relacionado a coisas ruins. Quando na verdade ele deveria ser relacionado a coisas reais.

Não termos acesso a ele de forma natural nos faz vê-lo de forma antinatural.

E geralmente não sabemos lidar com coisas não naturais. Só esperamos que elas não sejam tão ruins. E que se resolvam sozinhas.

Mas não se resolvem.

Relacionamentos terminam por causa disso.

Um exemplo bobo:

Eu e minha mulher (tá, não somos casados ainda. Mas depois de mais de meia década juntos; alianças na mão esquerda, apartamento comprado e alianças douradas também compradas — e embaladas para presente! — acho que posso me dar a esse luxo) falávamos amenidades no whats

Até chegarmos no tema comida (meu tema favorito).

Fui pedir para fazermos uma macarronada que estava na geladeira há mais de uma semana (recheada de nozes com ricota, hmmmm). Chamei-a no imperativo e disse: precisamos fazer essa MACARRONADA (nome completo dela) … BIN!

Coloquei “Bin” como uma brincadeira. Um nome de “casado”…

Achei bonitinho… fofo…

Então ela respondeu:

— Não sei se vou usar o seu nome
— Vou ficar com o meu mesmo

O que eu respondi?

— não precisa… faça como quiser.

(Detalhe para o “ponto final” na mensagem de texto… centralizando toda minha indignação. Não sei como a tela do meu smartphone não furou.)

Pior: na mesma semana ela perguntou:

— Você acha que precisamos casar no cartório?
WTF? Como assim?

Pronto…

Mil coisas me vieram à cabeça, tipo:

· Que porra é essa agora!

· Ela já não me ama mais.

· Meu nome é ridículo… e ela tem vergonha disso!

· Ela não me ama mais…

· Por que ela não disse isso antes?

· Ela quer deixar as coisas fáceis para separar depois…

· Isso é hora de tocar nesse assunto?

· Ela não me ama mais!!!

Sim eu fiz essa cara!

E por aí vai.

“Meu, é apenas a porra de um nome (três letras podem ser consideradas um nome?)… E uma pergunta sobre casar no cartório ou apenas juntar os panos. Precisa desse chilique todo?”

Precisa. Por dois motivos (em ordem de importância):

1) Porque essa foi uma tijolada de amor real na minha vidraça de amor de novela; e

2) Tenho Vênus em Leão.

Deixarei os astros explicarem melhor esse segundo ponto:

Vênus em Leão — Como você expressa suas emoções e valores em suas relações pessoais, especialmente no plano amoroso.
· Vênus em Leão mostra um grande romantismo e uma expressão mais calorosa de seus desejos e sentimentos. É bem possível que você faça até algum drama nesse sentido. De qualquer forma, passa alegria e autoconfiança, inclusive ao abordar alguém em suas conquistas afetivas.
Fazer um curso de teatro é uma boa opção para desenvolver seu lado dramático de forma mais positiva, evitando que se manifeste apenas em suas relações pessoais.

Bom, quem sabe um dia eu faça… Aqui tem outro exemplo:

· Sentimentos ardentes e estáveis. Procura parceiros que possa exibir com orgulho. Gosta de dar festas generosas e estar sempre em evidência socialmente. Por dramatizar as emoções, é bom ator tanto na vida como no palco. Alegre e carinhoso, tem grande talento artístico.

Será que por isso eu li Otelo tão cedo?

Aos que acreditam nessas influências astrológicas — e possuem Vênus em Leão, como eu (#tamojunto!) — é uma forma de nos analisarmos e aprendermos a lidar com exemplos de amor real.

Confesso, não é fácil.

Ainda mais hoje, quando — além de lidarmos com sentimentos reais que não fomos preparados — ainda nos preocupamos com papéis sociais caindo como um castelo de cartas.


Não queria usar a analogia vida x palco novamente, mas não vejo metáfora melhor.

Se há 20 anos o dualismo “homem faz isso; mulher faz aquilo” já beirava o ultrapassado, imagina hoje em dia.

Não existe mais essa de azul é menino, rosa menina… é papel da mulher fazer isso. E do homem fazer aquilo…

Agora é tudo junto e misturado… e cada um faz o que quer…

Em teoria pelo menos…

Homens e mulheres já chegaram a me dizer que tenho uma visão muito feminina de lidar com relacionamentos. (Na verdade eles disseram “de mulherzinha”, “veado”, “bichinha louca” mesmo.)

Entendeu porque falei “em teoria”?

Hoje o Homo Sapiens, transformado em Homo Socialis sofre uma derivação: o Homo Androginus Socialis. (Ah, Darwin, se tivéssemos tomado um chopp gelado em Galápagos em outros tempos…)

Que é o homem/mulher que começa a não interpretar seus papéis-sociais preestabelecidos.

No meu caso, sou um homem que não sabe — por desinteresse, inaptidão ou falta de oportunidade mesmo — fazer coisas de homem-com-H-maiúsculo.

Segue a (vergonhosa) lista:

· Trocar pneu de carro? ( ) Sim (X) Não
· Trocar chuveiro? ( ) Sim (X) Não
· Quebrar/desmontar coisas? ( ) Sim ( ) Não (X) Sim, mas não remonto
· Manusear ferramentas? ( ) Sim (X) Não
· Saber o nome das ferramentas? ( ) Sim ( ) Não (X) Só sei o básico
· Dirigir? ( ) Sim ( ) Não (X) Não (mas estou dando um jeito nisso, rs)
· Jogar futebol? ( ) Sim (X) Não
· Assistir futebol? (X) Muito menos

Enfim, deu para perceber que não sou o tipo de homem Chuck Norris. Não ando com um canivete no bolso de trás da calça; fumo Marlboro ou uso botas com esporas…

Macho-Alfa clássico

Eu me sinto meio lixo por não saber fazer algumas dessas coisas?

Sem dúvida…

Mas ainda tenho tempo de aprender tudo isso. (Tomara que a mulher tenha paciência.)

O que estou tentando explicar aqui é: por mais que nos orgulhemos de viver numa sociedade na qual não é obrigatório interpretarmos certos papéis; não deixamos de ser cobrados deles.

Aqui está um exemplo bem-humorado do 6 motivos para você aprender a fazer tarefas domésticas de homem. E a número 4 é a que nunca mais me esqueci:

4. Vamos admitir: é meio constrangedor não saber meter a mão
Imagine a cena: você está chegando em casa e vê que seu vizinho do apartamento 41 chamou um “marido de aluguel” para fazer uma visitinha no apartamento dele? Hum…
Se você já ligou para o seguro pedindo para eles trocarem um pneu furado, chamou o zelador para trocar uma lâmpada queimada ou chamou o vizinho do 42 para fazer um furo na sua parede, provavelmente você deve guardar isso a sete chaves. Eu ficaria muito puto se algum amigo contasse uma história assim na presença de uma mulher.

Mas nós também não deixamos de cobrar ou esperar tais papéis da outra pessoa.

Tudo porque temos enraizado a ideia do amor de novela.

O galã é o homem viril, pronto para todas as coisas. De peito peludo e costas largas.

A mulher: é aquela frágil donzela coberta pela sombra das costas do amado.

O Homus-Alfa!

Graças a isso, sempre achei que encontraria alguém que fosse como a Branca de Neve.

Que arrumasse a casa e os passarinhos a ajudassem a dobrar as toalhas…

Nunca perguntei a minha mulher, mas acredito que ela também esperasse encontrar um príncipe encantado.

Ao menos nos primeiros relacionamentos dela… assim como eu.

E não alguém que nunca usou uma furadeira na vida…


Bom, talvez por isso eu tenha ficado frustrado quando ela disse “vou usar o meu mesmo” quando se referiu a pôr meu nome no dela.

Ou ela ter perguntado se era mesmo necessário casarmos no cartório.

Porque para mim era isso o que as pessoas faziam quando casavam…

Meus avós fizeram isso…

Meus pais…

Por que não eu?

Não soube lidar com essa situação não-clichê.

Afinal: se alguém tinha que dizer isso. Era eu.

É papel do homem não querer casar jovem… querer fugir do bambolê dourado…

Eu vi nos filmes. Então é verdade.

Se ela é quem quer isso… algo está muito errado.

Talvez não seja o homem certo para ela (olha aí a novela de novo)…

Mas aí percebo que eu e ela temos uma imensa lista de coisas reais que derrubariam até a maior das mansões dos amores românticos:

· Eu adoro (tentar) cozinhar e misturar sabores;
· Ela nunca bateu um bolo na vida;
· Eu sempre quis casar;
· Ela nunca tinha pensado nisso antes;
· Eu quero filhas (pelo menos 3);
· Ela está pensando se quer mesmo (e 1 no máximo);
· Eu me lembro de todas as datas;
· Ela esquece;
· Eu sempre tento fazer tudo junto dela;
· Ela gosta de espaço e não gosta de muito grude;
· Eu perdi a virgindade com ela (ela não sabia disso);
· Bem… ela já não era virgem quando isso aconteceu.

Isso é um amor real. Sem script, ou fórmula. Como a vida é.

Bem diferente do amor de novela.

Então, porque não desistimos logo desse mundo cor-de-rosa que pintaram para gente e vivemos logo o real?

Porque sem o melaço do amor de novela, o que nos resta?


Vamos imaginar um futuro distópico.

As pessoas, por medo de sofrerem por amor, com o término, a morte do outro, resolvem entrar em um programa experimental onde o romantismo é retirado de seus miolos quentes.

Seríamos pragmatismo puro, e nos relacionaríamos apenas sob essa lógica.

O modo pá-pum de ver a vida.

· Planos? Para quê? Viveremos o hoje. Poderemos morrer amanhã ou terminarmos, e todos os planos terão sido em vão.
· Casar? Idem (mesmo argumento anterior).
· Filhos? Mais gastos, dor de cabeça, estresse, falta de sexo… A menos que seja necessário para a propagação da espécie ou haja algum pedido do governo para isso, não é preciso ter filhos.
· Morar juntos? Pode ser. Teríamos mais liberdade do que com nossos pais. Compraríamos nossas coisas… Faríamos o que quiséssemos.

Caso uma das partes reclame de toalhas molhadas, divergências políticas ou se preferem gatos ou cachorros… Não tem problema.

Só separar…

Entendeu? separar…

Não é mais um relacionamento: é um acordo de negócios. Um contrato com direito a juiz e testemunhas.

Quebra de contrato? Pague a multa e pule fora! Nos vemos nos tribunais…

Criamos um contrassenso: o amor real vira praticamente ficção científica sem o amor romântico para controlar a balança.

Na verdade, precisamos desse segundo para sermos felizes nesse jogo.

Pois está provado: o amor não traz tanta felicidade assim!


Uma reportagem muito interessante do El País Brasil mostrou o estudo do psicólogo americano Dan Gilbert. Sobre a receita da felicidade.

Quantas pessoas não esperam ser felizes no amor? Ou colocam essa felicidade como A FELICIDADE.

Corre, A FELICIDADE está logo ali #sqn

Bom, a ciência mostra que não é bem assim. Na verdade… Amor nem está entre as coisas que mais trazem felicidade ao ser humano.

Pessoas casadas são, sim, mais felizes do que as solteiras. Segundo a pesquisa do Dr. Gilbert.

Mas o divórcio também causa alegria. Inclusive, nos homens, a felicidade dispara logo nos primeiros dias de solteirice…

Nas mulheres demora um pouco mais (até alguns anos). Mas também ocorre o tal pico da felicidade.

O top 4 comportamentos que dão mais felicidade ao ser humano são:

1) Fazer sexo;

2) Fazer exercícios;

3) Ouvir música; e

4) Conversar.

Amar alguém? Não.

Não precisamos amar alguém para transar com ela ou conversar. O que já garante os itens 1 e 4 da lista sem os efeitos colaterais do amor de novela. (Ela não me ama mais!!!)

Dinheiro? Bem… conforme o próprio Dan afirma: “Não existe nenhum estudo que mostre que um euro a mais faça diminuir a felicidade”. Talvez o dinheiro até facilite o acesso aos top four da lista.

E filhos?

O doutor usa um argumento engraçado. Ele afirma que filhos são como drogas. Atinge o cérebro com uma força tão grande quanto heroína. Só que destrói todas as outras fontes de felicidade. Então quando dizem que filhos são a maior fonte de felicidade, talvez estejam certos. “Se você só tem uma fonte de felicidade, é claro que ela é a maior”, afirma o pesquisador.


A essa altura eu já não sei mais de qual lado você está: do amor romântico ou do amor real. Nem quero convencê-lo a tomar partido A ou B.

Precisamos do amor real porque ele… é real pô!

Se quisermos apenas um romance seremos eternos adolescentes. Sofredores e nos decepcionaremos pelo resto da vida.

Nenhum adulto de verdade aguentará isso.

O amor romântico não sabe o que é pagar contas. Nem o que é ficar até tarde no trabalho. Ou pegar 1h30 de trânsito na Dutra.

Ou descobrir que há outras pessoas de olho no seu ser amado — e provavelmente ele também deu uma espiadinha de volta.

Coisas que acontecem…

C’est la vie!

O amor inventado não sobrevive a erros, deslizes.

Já o real, parafraseando Nietzsche, é “humano, demasiado humano”.

Tão humano que dói. Porque crescemos imaginando que, em vida, não teremos nada tão sublime como o amor verdadeiro.

Mas ele é bem diferente do que imaginamos ou vemos em postagens do Instagram.

Clássica! Serve pra qualquer rede social!

E então o amor acaba e nos debulhamos em lágrimas — eu mesmo por um amor fiquei meses decorando e escrevendo todas as letras do Legião Urbana… Estava na fossa mesmo.

Então aparece outro amor. Outro… E mais outro.

Quando vemos, temos uma prateleira de amores. E ficamos levemente tristes… Por que lá no fundo você queria que existisse apenas um.

E aí, viu se fez a escolha certa?

Um amor perfeito. Nota 10/10.

Agora, com tantos exemplares: como eu sei que fiz a melhor escolha? Como eu sei que fiz a última escolha?

Não sei…

O que resta fazer é nos convencermos de que a escolha mais recente foi a mais acertada.


Deu para perceber que eu sou mais romântico (e dramático) e minha mulher é mais o amor real da relação, certo?

Esses dias fomos a um evento de Programação Neurolinguística (PNL) e, dentre os exercícios, tivemos que dar uma nota para o nosso Relacionamento Amoroso.

Ela deu 9.

Eu dei 7…

Parece que o amor severo dela é mais benevolente do que eu pensava.

E meu amor de novela, mais inflexível (Ela não me ama mais!!!)…

Ser menos Disney e mais Profissão Repórter.

Mas para quem tem Vênus em Leão, duas dicas do sr. Miyagi aqui:

Primeiro: assista ao TED da Mandy Len Catron, que complementa tudo o que quis dizer até aqui. (Vale a pena!)

E Segundo:

Sabemos que precisamos remar o barco.
Mas o que fará a viagem inesquecível ou não é o modo como vemos o oceano.

Podemos olhar para ele e pensar: “é água que não acaba mais”.

O que você vê?

Dar um longo suspiro — e morreu o assunto.

Ou podemos falar: “imagina se a baleia que engoliu o Pinóquio passasse por baixo da gente nesse instante?”.

A pessoa do seu lado provavelmente te achará estranho (minha mulher acha); mas a conversa durará horas…

E a companhia será bem mais agradável.

Se eu fosse (só) amor real nunca acabaria o texto com essa imagem, rs

Afinal, se tirarmos todo esse melaço — essa fantasia — das nossas relações…

O que sobrará?