A face de um delírio hipotímico
Me estranho na falta de sinceridade comigo mesmo em meu mal-estar. Constantemente auto analisando, modos de se colocar, se jogar em relações e me retirar na mesma intensidade, como num bungee jump e falo que não me entendo, mas no fundo entendo, só não consigo suportar olhar no espelho. Demonstro meu desprazer grupal, assim como demonstro minha gigantesca falha afetiva, um buraco que quando fechado, sufoca. Não me esforço por dar um sorriso pela falta de tesão em quaisquer coisa, assim como faço questão de me entregar nas paixões. Às vezes, o gargalhar rasga meus tímpanos. Muitas outras, não quero ouvir um som que não seja a batida de meu coração em ressonância com as ondas de meus fones. Desagrado por ser mesquinho, caráter anal retentivo. Lido com a falta de modo peculiar: exerço muitas vezes a própria função pai e me castro, pois alguns desprazeres me trazem gozo. Admitir algumas próprias verdades é como beber cicuta. Uma delas é que me sinto melhor estando só. Outra é a valorização excessiva do sofrimento, como um cristão celibato que pratica auto punição; ao mesmo tempo, achar que não sofri o bastante e, propositalmente, flagelar-me. Percebo a relação de jogos sociais em que me tranco, não tenho coragem de simplesmente me levantar e ir embora sem dar explicações, sem ter um rumo, com medo do frio e da chuva, do dormir desconfortavelmente. E por isso me permito sofrer em demasia, sem motivos racionais, muitas vezes realizando o que não gostaria, nem sequer pensaria, em realizar. Meus contatos são feitos de formas parecidas; lançamento numa rede de apegos, enjoamento por pequenos detalhes que me incomodam. Coisas que são, muitas vezes, percebidas desnecessariamente além da incomodação. Trejeitos, puxadas na fala e o jeito que me olha e me sorri. É apavorante para mim vomitar tantas palavras e nenhuma delas me parecer suficiente. Nenhuma me conforta, por mais que eu tente, por mais que eu sangre. Forma de expressão que não muda, apenas marca, jorra tinta no papel, desnecessariamente. Cinza e suas tonalidades, felpudo estirado na cama de olhos fechados. Sinto a mesma ânsia, o mesmo enjôo que já senti, e o modo da decepção, das lágrimas, das crises e da minha absurda indiferença perante os sucessivos atos de fracasso e humilhação. Maldito Victor, você é um maldito imbecil. Falso, vil, maldito imbecil. Acho que não tô pronto pra continuar.
Maldito seja você
Maldito seja eu
Malditos sejamos
E na minha ignorância, tudo se resolveria simplesmente.
