Quando só seu peito faz arder

Arte por Alex Garant

Ele.

Você.

Parece formar, mas sente que falta um relâmpago. Uma tempestade. Um vendaval.

Você já viu os noticiários? Ninguém noticiou o morrer de sua cumplicidade.

Ele te procura quando você se destaca de alguma forma, mas some nos dias que você só tem a plateia de si mesma.

Ele te elogia pela maquiagem e o vestido colado, mas nunca fica o suficiente para ver como é seu rosto ao amanhecer.

Ele está nos lugares agitados e nas multidões, mas nunca perto demais para alcançar de verdade você.

Ele não estava lá; nem nos dias confusos, quando você duvida do universo, da piada nova, do link aleatório, na batida acidental de móvel, nas descobertas do óbvio e nos elogios sinceros.

Ele nunca vai está, não existe um presente porque o nós foi adiado para um futuro inexistente cheio de furadas ordinárias.

Aliás, não existe um nós, hei de não haver nenhum nós, pois ele é feito de fumaça e do fogo que não sabe queimar.

Não queima a alma, só finge esquentar, pois ele jamais se aproximará de você pelas ondas cerebrais ou perfume característico que carrega.

Ele só quer pele e da pele não se perfura até o peito.


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