A mudança no consumo de moda no século XXI

Reportagem de: Andressa Oliveira, Leticia Lopes, Maese Closs e Victória Lima.

Com a inovação da tecnologia, a crise financeira, a mudança de comportamento social e a busca pela originalidade, o contexto de moda e seu consumo mudaram consideravelmente nos últimos anos. Temos hoje, principalmente, maior oportunidade de consumir moda, seja pelo fator financeiro ou social. As grifes, antigamente tão renomadas e conceituadas, perdem espaço para o popular, o barato e o inovador. A internet abre acessibilidade e conforto. Enfim, todo o embasamento mundial contribui para o consumo de roupas, sapatos e acessórios.

Durante muito tempo a moda foi consumida através da posição de status que cada pessoa ocupava, ou seja, pela posição social de cada um. Assim, podia-se entender a moda como uma forma de exclusão social, pois aos desprovidos de condições financeiras para acompanharem essa busca por status restava a desilusão, e até mesmo em muitos casos o isolamento social.

Porém, com o passar dos anos não foram apenas as tendências dentro de cada estilo que mudaram; as mudanças na moda vão muito além. Atualmente é cada vez mais comum, o consumidor buscar conforto, funcionalidade e satisfação pessoal ao adquirir determinada peça ou objeto de moda, já que as pessoas também desejam passar ao mundo o seu estilo pessoal, representando o seu eu interior. Essa ideia desbanca grifes conceituadas que durante muitos anos foram referência de moda para muitos. Hoje o mundo não está mais bitolado em regras de fashionistas. Digamos que a regra atual seja inovar. A peça não basta mais apenas ser de marca renomada, tem que ter o estilo pessoal de cada consumista. A moda propriamente dita e o seu consumo ultrapassam a barreira de ser apenas produto e compra, respectivamente, estes são agentes comunicadores de mensagens, de significados, de desejos, são forma de arte, de expressão corpórea, agregadores de valores, não só financeiros, mas primordialmente de caráter pessoal. Ou seja, o que o produto representa no bem estar na vida desta pessoa.

Um dos idealismos da moda também tornou-se “não consumir por consumir”, assim, dando brecha para outros mercados da moda. Muitas das lojas de grifes que eram menção de moda, agora estão perdendo espaço para a criatividade. Sim, criatividade. Brechós, reaproveitamento de peças, troca de roupas por grupo, customização, venda Online, mercado da China, varejos de bairros e blogs são as tendências de moda que surgiram junto com a era contemporânea, e que substituem as compras em lojas de marcas renomadas.
Segundo a design de moda Glória Lopes da Silva Dal Bosco, fora do Brasil, como no Reino Unido e Estados Unidos, existem blogueiros tão influentes por apresentarem uma nova perspectiva para a moda contemporânea, que participam das semanas de moda mais importantes do mundo e sentam-se ao lado de gigantes como Anna Wintour, editora da Vogue América.

Foto de Closet Detox, tirada na página no Facebook

Vídeo documentário sobre Moda, Identidade e Comunicação, produzido pelas jornalistas Caroline Soares, Cláudia Amaral, Greicimila Mendes, Katslainy Gualberto e Marcele Morais como Trabaho de Conclusão de Curso de Jornalismo, do Centro Universitário Newton Paiva.

China x Brasil

De olho nas tendências chinesas, muitas empresas de varejos do Brasil e até mesmo pessoas consomem roupas, acessórios e sapatos da China. Segundo o site Opalha, se e a trajetória continuar assim, teremos nos próximos cinco anos, uma nova conjuntura no mercado da moda com a China se distanciando e colocando-a na liderança. Na última década, a China destacou-se pelo seu crescimento em relação à economia global, representando o país que mais cresceu. A invasão de importados, principalmente da China, tem prejudicado a indústria têxtil e de confecções no Brasil, que está perdendo mercado para esses produtos de baixo valor comercial encontrados em sites como Aliexpress. O Cenário é preocupante para o Brasil, pois tira a venda do comércio interno, germinando para o externo. Com isso conduzindo o nosso país a deixar de produzir moda, dando espaço ao mercado chinês, que é muito mais atrativo pelos valores de baixo custo.

Internet e suas influências no mundo da moda

Antes da internet, a chegada das últimas novidades e tendências da moda, demorava muito mais do que atualmente. Era necessário esperar pelas revistas especializadas, geralmente da Europa e Estados Unidos, e nos últimos anos do Japão. Hoje em dia o acesso a estas informações se dá de modo instantâneo com o uso desta ferramenta de mídia.

Segundo Glória Lopes da Silva Dal Bosco, os grandes varejistas do ramo da moda primeiramente ficaram duvidosos quanto ao sucesso das vendas online, pois partiam do pressuposto de que o cliente deveria tocar, experimentar e ver as peças, vivenciando uma experiência sensorial, para que a venda se concretizasse, de modo que os mesmos adiaram o início do comércio eletrônico de vestimentas. Porém, o comércio lojista se torna mais caro, enquanto o comércio eletrônico é mais acessível.

Claro que para o cliente que faz a compra pela internet, há maior dificuldade em avaliar os produtos, porém os baixos preços atraem. A possibilidade de o consumidor online realizar a devolução do produto em até sete dias também contribuí.

Para 77% dos brasileiros, o relacionamento direto com varejo por meio das redes sociais impactou na decisão de compra, aponta pesquisa da consultoria PricewaterhouseCoopers, feita para avaliar os fatores de mudanças do varejo no Brasil e no mundo. “Isso revela que a geração digital, com idade entre 18 e 24 anos, está chegando ao mercado de consumo”, afirma Ricardo Neves, sócio da consultoria e responsável pela área de varejo e consumo.

Ele destaca que o peso das redes sociais na decisão de compra no Brasil supera o impacto da média global. Em 19 países nos quais a pesquisa foi realizada entre setembro e outubro de 2014, 62% dos 19 mil consumidores, na média, declararam que fizeram suas compras influenciados pela interação com o seu varejo favorito por meio de redes sociais.

Mas o avanço do comércio eletrônico não significa que a loja física vai acabar. Ao contrário do que já se pensou no passado, de que a loja tradicional se tornaria algo obsoleto, na prática, o que vem ocorrendo é uma mudança do seu papel. A importância da interação entre a loja física e o varejo virtual, que é a nova tendência do mercado de consumo, fica clara em dois resultados da pesquisa. Segundo a enquete, 86% dos brasileiros pesquisam sobre os produtos em lojas físicas e compram no comércio online.

A mesma pesquisa mostrou que 78% dos entrevistados fazem o caminho inverso: primeiro pesquisam sobre o produto que lhe interessa nos sites de comércio eletrônico e depois vão à loja para comprá-lo. A mensagem desses dois resultados aparentemente contraditórios é que o consumidor decide onde vai realizar a pesquisa e onde vai comprar de acordo com a melhor experiência de compra.
Neves ressalta que, cada vez mais, o consumidor quer ter acesso a todos os canais de compra e usá-los da forma que lhe será mais conveniente. Isso significa que as lojas físicas têm de ser “equipadas” com mais tecnologia para reduzir a distância entre o varejo físico e o comércio online.

Nota-se que o consumo da moda não diminuiu com o passar dos tempos, e podemos compreender que com a diversificação do consumo é que gerou essa baixa nas tendências dos desenhistas da moda. Procriando opção e adequações de mercado gerando possibilidades de escolhas. A tendência fastfashion possibilita a mistura de estilos, peças mais simples e baratas com peças chiques e de marcas mais caras, é o estilo hi-lo, extremamente contemporâneo. No Brasil, grandes redes de varejo, criam uma espécie de parcerias com famosos estilistas, a fim de captarem clientes que normalmente não entrariam em suas lojas.

Foto Google

Brechós em alta

Os brechós estão a cada dia mais em alta e são os favoritos de quem quer estar na moda sem gastar muito. Afinal, você pode ter uma peça de marca (ou não), usada, mas em bom estado, e vendê-la por um precinho camarada, já que talvez você nunca mais vá usá-la. Afinal, antes vender uma peça por menor custo e lucrar, do que envelhecê-la no armário. Este é o pensamento de muitas pessoas que optam por consumir produtos de brechó. De acordo com a jornalista gaúcha Gabriela da Silva, que está organizando seu primeiro brechó para novembro deste ano, o “Brechó do Desapego”, o evento surge para facilitar o encontro entre quem está interessado em vender e quem quer comprar. “Quando a pessoa se conhece, Sabe o que lhe caí bem e o que lhe faz sentir bem, fica mais fácil montar um look legal. Claro, peças mais caras tem uma durabilidade maior, mas se a questão é “layout” dá para fazer, sim, moda com peças baratas”, garantiu a organizadora.

Em menos de um mês, o evento de Gabriela no Facebook tem mais de 320 pessoas confirmadas para comparecer. “O Brechó está sendo divulgado basicamente pelo Facebook, e até agora está dando certo. A maioria das pessoas que confirmaram presença eu não conheço. A rede social está ajudando na interação, já que os interessados já vão tirando suas dúvidas por mensagem. Também surgiram propostas de parcerias para expor marcas de acessórios e maquiagens no Brechó, tudo por Facebook”, garantiu Gabriela. O que ajuda a agregar valor neste tipo de bazar e fazê-los ganhar dimensão, em muitos casos são os estilistas que fazem leitura de peças antigas. Atualmente o que era ignorado por ser velho e inútil para muitos, não é mais problemas para alguns adeptos desse tipo de comércio. Pois, neles são encontradas roupas, sapatos e objetos diferentes e exclusivos, que nenhuma peça de estilista irá ter e sem falar dos preços baixos e os argumentos ambientais que incentivam esse tipo de comércio diminuindo o impacto da indústria têxtil.

Roupa não é objeto descartável, e se bem cuidada pode durar muitos anos! Se você escolher comprar um look em um brechó, em vez de um que supostamente seria fabricado para o seu consumo, o mundo vai se beneficiar da economia de água, luz, insumos, químicos e a poluição. Se todos reutilizassem mais roupas e acessórios a necessidade produtiva seria menor gerando maior sustentabilidade. “Brechós e troca de peças se encaixam bem numa ideia de sustentabilidade, e até é uma opção de economia nestes tempos de crise”, garante Gabriela.

Vídeo publicado pelo canal Cidade Verde no youtube.

Foto Google

Veja a reportagem da TV Alterosa sobre o consumo nos brechós.

Como a crise tem afetado no consumo da moda

Podemos perceber que o comportamento dos consumidores mudou, não sendo estes passivos como há décadas atrás. Isso contribui para a mudança que está acontecendo no mercado da moda, ou seja, uma nova realidade em que é necessário entender e sobreviver diante deste novo mercado. Apesar de o mercado ser dirigido pelo consumidor, a indústria tem uma importante arma de persuasão: os preços, ou seja, no topo do mercado subsiste um desejo de possuir mercadorias exclusivas como um símbolo de status, porém, mais abaixo na cadeia de compras uma roupa torna-se desejável quando corresponde ao orçamento do mercado de classe média. Deixar o produto mais barato implica torná-lo menos rebuscado e mais comercial, com peças mais clássicas, visto que, o consumidor na crise vai optar pelo mais usual.

Como já tínhamos citado no texto o consumo não baixou entre os consumidores da moda, o que mudou foi a forma de consumir-la.
Conclui-se com isto que a economia é um fator que interfere diretamente na moda, e por essas e outras que pessoas buscam alternativas gastando sempre menos. No comportamento de compra do consumidor, entretanto, todas as empresas possuem ferramentas eficazes que ajudam a persuadir o consumidor.

Foto de Closet Detox, tirada na página no Facebook

Tendo em vista essa diversificação na moda, fizemos uma análise de campo em lojas de varejo, grifes e brechós, entrevistando consumidores com as seguintes perguntas:

  • A Crise tem afetado a loja? (loja).
  • O que mudou na moda de alguns anos pra cá? (loja\consumidores).
  • As pessoas consomem mais ou menos moda nos dias atuais? Por quê? (lojas/consumidores).
  • O consumidor busca uma peça de grife ou acaba comprando pelo valor da mercadoria? (consumidores\lojas).
  • Qual é público que consome mais? (lojas).

Empresas de varejo entrevistas: Renner, Marisa, Hering.
Grifes: Mc Benetti, Doris Charmant, Top Concept.
Consumidores: contatos do Facebook.

Observa-se que, perante as respostas da pesquisa dadas por lojistas de varejo, é relatado que a crise não tem afetado o mercado, isso porque as mercadorias são mais atrativas, dado o preço e as condições de compra, o chamado “parcelamento”. Já perguntado pelas grifes todas informaram que a crise tem afetado o mercado. Basicamente pessoas que compravam nas grifes migraram para o mercado alternativo.

Ao perguntar ao lojistas de grifes e varejos sobre as mudanças da moda eles relataram que os consumidores estão cada vez mais exigentes e consumindo looks despojados, casual, customizados, alternativos ao seu bolso. Concluiu pelos lojistas que as pessoas estão buscando alternativas melhor para seu bolso usando a criatividade. Já aos consumidores relatam que não basta oferecer o nome tem que ter algo a mais e esse algo a mais está relacionado a várias regras tais como: valor, tendências de moda, originalidade. O público que mais consomem em grifes são pessoas de classe A e B. Já nos varejos, a clientela é variada, pois esse tipo de comércio atinge o público geral.

O consumo das pessoas está devidamente diversificado, por isso percebe-se que cada público foi migrando para rumos distintos. Uns na busca do mais barato, outros nas tendências da moda, sites e redes sociais, brechós ou até mesmo nas trocas de roupas.O importante é saber e entender que hoje a prioridade de consumo mudou e esta depende do orçamento de cada público-alvo.