"Influenciadores digitais". Duas palavrinhas que são as bolas da vez.
Em todos os cantos, seja na internet ou fora dela, só se fala nisso. Em sites voltados para os profissionais de comunicação, em jornais e revistas impressas, palestras em grandes eventos, todo mundo cismou com isso depois de entender o potencial financeiro desta brincadeira.
Até ontem só jornalistas e grandes pensadores formavam opinião. Estudiosos, artistas e celebridades também. Hoje o cenário mudou. Qualquer um que se considere "digital influencer" (em inglês, para dar glamour para essa nova profissão) se acha apto para influenciar outras pessoas. Qualquer um que tenha uma rotina que seja considerada interessante para ele mesmo já se considera um influenciador.
Mas estas pessoas realmente influenciam outras pessoas?
Trabalho com redes sociais em uma agência de publicidade e todos os clientes querem de qualquer jeito realizar ações com youtubers, blogueiros, instagramers, pois acreditam cegamente que pagar uma mini fortuna para um "digital influencer" tirar uma foto marcando a empresa, colocar uma #hashtag divertidinha fará o milagre de bombar e disparar as vendas. Grande erro.
Essa pulverização de informações sobre essa nova leva de personalidades digitais por todos os lados confundiu a cabeça de todo mundo, principalmente das pessoas que estão no comando das marcas. Elas realmente acreditam que um único post estiloso vai alavancar as vendas. É um tiro certo. Não cogitam a ideia de que talvez esse lance de colocar "influenciadores" em tudo quanto é campanha precise de um olhar mais cuidadoso e entender que este assunto vai um pouco mais fundo do que todo mundo está dizendo por aí.
Para definir um representante pra marca é necessário ir além do que só simpatizar pela carinha bonita ou pelo número de seguidores e curtidas. É necessário conhecer a fundo cada uma daquelas pessoas que estão nos catálogos das agências de caça-talentos digitais. Saber do passado, presente e quais os planos para o futuro do fulano, saber para quais marcas já trabalhou ou se já se envolveu em algum escândalo que pode vir a tona, estragando tudo — e pior, jogar o dinheiro investido no ralo — é crucial. É preciso estudar a pessoa, ver o conteúdo que é produzido e até conversar para entender se ela já teve contato com a marca que pode surgir uma parceria. É tão incrível quando descobrimos que aquela pessoa que estamos usando para influenciar o público realmente consome a marca e admira os seus produtos.
E aí entramos em um ponto muito importante: para o influenciador realmente influenciar pessoas ele precisa passar verdade, precisa ter um discurso genuíno e que realmente convença. Ele precisa conhecer a marca, precisa entender do produto e não somente fazer uma carinha fofa para sair bem na foto. O que mais vemos por aí é aquela youtuber super "cocota" fazendo campanha para uma marca super popular de roupa — coisa que sabemos que ela jamais usaria na vida real ou mal ouviu falar da marca em toda a sua vida. Isso pega mal minha gente! Quando olhamos o post, a primeira coisa que nos chama a atenção é a foto e depois vamos olhar qual é a marca que está por trás. Se a composição foto+marca não faz sentido é quando damos o famoso "tiro no pé" e tudo vai por água abaixo. Basta uma pessoa comentar que aquilo não tem nada a ver para desencadear uma crise, afinal, seres humanos têm o poder de inflamar outros seres humanos com apenas um comentário nas redes sociais.
As pessoas precisam entender que ser um formador de opinião não é algo que você estuda como um curso de Photoshop e sai por aí fazendo. Nem sempre a vida que é considerada interessante, é realmente interessante. Nem sempre aquelas fotos estilosas realmente engajam e chamam a atenção. Nem sempre aquele rostinho bonito que faz propaganda de mil marcas está recebendo cachê das marcas, afinal muitas pessoas nesse universo fingem estarem sendo bancadas por marcas mas tudo está saindo do próprio bolso.
"Recebidos da semana" ou "look do dia" não representam mais nada. O consumidor não é idiota, não se deixa levar por posts publicitários escancarados. Eles sabem quando um influenciador é influenciador de verdade e quando aquele instagramer está apenas postando pelo cachê de 5 mil reais pela foto. Nota-se o sorriso amarelo, nota-se a falta de envolvimento com o produto. E pega mal, muito mal.
Antes de sairem por aí atrás de qualquer influenciador, estudem a marca e estudem as pessoas. Analisem o comportamento, conversem para ver se existe um link entre a marca e a pessoa. Não se trata apenas de pagar e engajar, isso não acontece. O investimento tem que ser certeiro e fazer sentido, passar verdade acima de qualquer publicidade.
