#26 — Pousada Paraíso na Serra — Urubici (SC)

Embora quisesse ficar vários dias na Serra do Corvo Branco, ainda tinha muito o que ver em Urubici. Era por volta de 16h e resolvi me arriscar na subida pro Morro da Igreja, que fica aberto até 17h, na esperança de ver a famosa Pedra Furada.

A estrada até o topo do Morro é linda DEMAIS! Campos longos e infinitos por todos os lados, que desaparecem abruptamente em cânions gigantescos. Cheguei ao topo do morro, e o que vi foi uma cortina de névoa branca.

Cinco horas da tarde e eu precisava me encaminhar pra onde quer que fosse passar a noite. Não estava me sentindo confortável em ir pro sítio que havia planejado. Pensei em ficar pela estrada, me aventurar num pernoite mais “wild”, e fui descendo calmamente a estrada que liga o centro ao Morro da Igreja onde eu estava. Nessa descida tranquila, passei em frente uma Pousada que me chamou atenção pela vista linda que tinha do vale, e seus chalés aconchegantes e convidativos.

- “Olá, boa tarde! Meu nome é Victor, tudo bem?

- Boa tarde Victor, tudo bem, meu nome é Hulda.

- Hulda, é o seguinte…eu estou viajando pelo Sul do Brasil e América do Sul, e costumo trabalhar em troca de hospedagem. Quando não estou trabalhando em algum lugar, acabo escolhendo um lugar plano e seguro pra pousar o carro e dormir nele (falo enquanto mostro o interior do carro todo arrumado).

- Mãe, vem cá ver que legal!

- Olá, eu sou a Ana!

- Olá Ana! (conto a história novamente). Será que eu poderia apenas passar a noite aqui? Só preciso de um lugar plano pra parar o carro e não dormir inclinado…rs

- Claro! Claro que pode ficar aqui! E você precisa de um banheiro e um chuveiro, não é?!

- Não vou abusar, mas aceitaria sem dúvida…rs

Dona Ana foi um anjo naquele momento. Era como se visse nela uma áurea, uma energia pura que a rodeava. Não falo isso porque aceitou meu pernoite (e acabou me oferecendo muito mais que um local pro carro e um chuveiro, mas um chalé inteiro, com cama e cobertores quentes, chuveiro, refeições, pães inacreditáveis e até wifi!), mas aquela mulher, no auge da pureza dos seus setenta e poucos anos, tinha algo muito especial.

Ana é maravilhosa, mas os outros moradores daquele paraíso não ficam atrás. Seu marido, Sérgio, um português pra lá de simpático, esbanja carisma, humildade e companheirismo. Sua filha Hulda é a única que ainda mora com eles, os outros filhos já seguiram suas vidas pelo mundo. E ainda sua irmã, uma querida que todas as manhãs acorda na mesma hora do galo e vai caminhar pela mata.

Após um belo banho, Ana me ofereceu um jantar delicioso. Conversamos um pouco enquanto jantávamos, e aos poucos fomos entendendo o motivo de tanta afinidade. Não houveram dúvidas: Já nos conhecemos antes. Quando? Onde? Em que circunstâncias? Nunca saberemos. Mas aquele encontro era, definitivamente, um reencontro.

Após o jantar, fui para o chalé escrever no diário de bordo e contar o quão fantástico havia sido o primeiro dia em Urubici. Estava MUITO frio, daqueles de botar a segunda pele e mais calça e blusa pra dormir, touca e luva, e se possível, ligar o aquecedor. Eu ia dormir no carro na primeira noite, mas, enquanto estava sentado dentro do chalé escrevendo, recebi uma mensagem pelo Facebook: “Oi Victor, aqui é a Ana. Eu gostaria que você entrasse na cabana e dormisse numa cama pois está muito frio, ok?

“Não precisa minha querida, estou na cabana agora, sentado na mesa escrevendo meu diário, mas logo vou me aconchegar no carro, fique tranquila!”

“Insisto, você ficará mais confortável.”

“Eu já estou abusando muito da gentileza de vocês Ana..”

“De forma alguma, eu insisto, fique na cabana Victor”.

Coisa mais querida essa mulher! Só faltou usar ponto de exclamação comigo! Hahaha

Claro que aceitei de bom grado.

E assim fui dormir, quentinho e confortável, naquele lugar que, não à toa, o Sérgio e a Ana chamaram de Paraíso.

Para conhecer esse lugar lindo e essas pessoas maravilhosas: https://www.facebook.com/pousadaparaisonaserra/?fref=ts

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