
Fim de carreira
Aqui inicia o fim da minha vida
De perto pode parecer pouco
Mas tenta olhar com os olhos de deus pra ver
Como até uma formiga pode ter vida de gente grande
E eu não sou uma formiga
Tampouco gente grande
As vezes nem sei quem sou
O que sou
Homem, mulher, pássaro, rato…
Só sei que de formiga não tenho nada
É uma pena!
Esse senso de coletividade e alienação
Me fariam um bem danado
Imagina:
Trabalha, trabalha e trabalha
E não pensa em como tão fodendo com
O céu, a terra e o ar
Como tão acabando com o pobre que ta cada vez mais pobre
E como tão deixando o rico cada vez mais rico
Isso me lembra uma daquelas músicas que grudam na nossa cabeça
E a gente chora e pede, por favor, para que ela saia daquele cantinho difícil de tirar
Do nosso cérebro
As formigas não tem esse problema
Não tem formiga cantando hit de verão
Quem sabe eu chego ao fim dessa minha vida
E começo outra como formiga?
Não, melhor não!
Provavelmente eu seria a primeira formiga com ideias revolucionarias
Nunca postas em prática
Que seriam substituídas por horas e horas de autoflagelação psicossomática
E linhas e mais linhas de palavras difíceis que ninguém entende ou lê
Em um blog qualquer
Uma formiga que ao chegar no fim da vida
Iria querer ser algum outro ser
Talvez um peixe…