Crônica dos dias lembrados nº 1

Lavar um banheiro é um pequeno resumo da vida. Fica-se agachado, esfregando, incomodado com a postura, com o cheiro forte dos produtos de limpeza, querendo que tudo aquilo se resolve-se sozinho. Mas no final quando, quando se olha em volta, o azulejo branco novamente e o sereno aroma da limpeza dão sentido a todo aquele trabalho. Por segundos, aquela labuta toda vale a pena.

Talvez viver seja tipo isso. Existem uns maluco capazes de dizer que sentem prazer em lavar banheiro. No pequeno cosmo da vida cotidiana, eles são equivalente às web-celebridade que tem uma vida perfeita de segunda a domingo. Logo, ou estão mentindo ou são hologramas plantados pela Matrix para evitar rebeliões.

Porém, a maioria das pessoas quer apenas passar incólume pelo processo doloroso. Lavar banheiro é chato, sair de casa todo dia para viver situações ambíguas com potencial de destruir todo bom-humor também é. Mas de qualquer maneira, são necessários. A massada de vivenciar coisas aparentemente desnecessária dá certas recompensas. E mesmo que estas sejam finitas, o momento ínfimo durante o qual nos sentimos plenos faz com quem esqueçamos parte do desconforto de apenas estar no mundo.

E por pior que seja lavar banheiro, ou viver, simplesmente, deixa-lo sujo para sempre é uma opção mais inviável ainda. Refugiar-se em casa todos os dias com receio que chova faz com que percamos os dias ensolarados. Ou até mesmo os momentos pitoresco que surgem quando chove.

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