Meu irmão, estou exausto.

Penso em derramar,

sobre tua cabeça, a minha.

Temo seu martelo,

um riso infantil,

um escárnio

nu, hesito. Novo dia

me alcança, teu nome surge

do ontem e me entrega

“sonhei teu pedido”

Cordão das metades,

a voz do sono nos une.

Sua calma adulta.

Tua coroa de homem

simples, reluz invisível.

Temo sua ida,

sua firmeza, doce

estrutura onde crescemos

juntos.

Lembro de Pasolini, sua mãe, o cadáver

de seu irmão.

Victor Mattina para Marcelo Mattina

– -

Pier Paolo Pasolini

Perto dos olhos e dos cabelos soltos

sobre a testa, tu, pequena luz,

distraída tinges meus papéis.

Adolescente, eu ardia até noite alta

com tua baça claridade, e era estranho

ouvir o vento e os grilos isolados.

Então, nos cômodos, esquecidos

dormiam os parentes, e meu irmão

além de um fino muro se estendia.

Onde está ele agora não me dizes,

luz vermelha, que brilha; e suspira

o grilo pelos campos desolados;

e minha mãe se penteia ao espelho,

costume tão velho quando tua luz,

pensando nesse filho já sem vida.

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