A loucura inofensiva de Kanye West

Ele não é um completo babaca que não merece nenhuma atenção.

Sou fã do Kanye West. Não da pessoa Kanye West, até porque não o conheço pessoalmente, mas do artista. Acho que essa separação é possível, sim e, mais do que isso, necessária.

Não podemos negar o talento de Kanye. Um incrível produtor musical e rapper. Sete discos lançados e praticamente todos eles foram aclamados pela crítica musical.

Suas habilidades artísticas são imensas. Fora a música, já lançou modelos de tênis pela Nike e agora pela Adidas. Criou uma coleção de moda própria, que já está em sua terceira temporada.

Kanye West não é um grande babaca e que não merece NENHUMA atenção, como muitos pregam.

Ele é arrogante? Sim. É egocêntrico? Sim. Mas nenhuma de suas ações foram tão escrotas assim a ponto de negarmos toda sua carreira musical. Além disso, centenas de outros artistas são tão arrogantes e babacas (ou pior), mas não recebem todo esse ódio — o próprio Justin Bieber, por exemplo, teve uma fase extremamente babaca.

Os episódios com os paparazzi; o roubo de microfone da Taylor Swift e um episódio parecido com Beck; o cover de Bohemian Rhapsody; a possível candidatura à presidência dos Estados Unidos: esses e diversos outros acontecimentos não fazem de West um vacilão por completo. Sua babaquice e loucura é inofensiva.

Não podemos esperar que West se comporte como um role model. Apesar de ser uma celebridade influente, ele não tem o dever de ser exemplo para ninguém.

A separação Kanye-pessoa e Kanye-artista é necessária se quisermos desfrutar de sua genialidade louca, que até hoje nos oferece grandes músicas, discos e tuites. Como ele mesmo diz em sua nova música ‘Feedback’: “I can’t let these people play me, name one genius that ain’t crazy”.