A impaciência

Qual o motivo de tanta impaciência com Cristóvão Borges no comando do Corinthians? Seria pelo fato do treinador nunca ter conquistado um título em sua carreira? Ou por ele ser do Rio? Por errar pontualmente na escalação de jogadores? Pela apatia? Por ele ser negro? Pela falta de contundência nas respostas? A última alternativa, me parece, o principal erro do técnico no time paulista. Embora as outras questões também pesem, são menos relevantes. Após um revés, o torcedor fica louco da vida ao ver o responsável pelo seu clube de coração dando justificativas como quem toma um chá. Falta energia e objetividade para Cristóvão, mas essa não é uma característica obrigatória para treinadores. Ou melhor, no Brasil, é. A nossa cultura futebolística é de que o técnico é uma espécie de general — coloca a ordem na casa e fala grosso com todo mundo. Mas isso está ficando ultrapassado. Sabemos que, o melhor do mundo, Guardiola, é sereno e consegue extrair o melhor de seus atletas. Cristóvão errou em alguns momentos, é verdade, mas mostra um gosto pela ofensividade que vale a pena dar uma chance para ver. Não apresentou isso contra o Santos na Vila e foi o grande responsável pela derrota corintiana. Mas, assim como os jogadores, os treinadores também erram. A diferença é que ficam mais expostos. Com a falta de paciência e pressão do torcedor, as decisões só tendem a ser mais equivocadas. Com apoio, as chances de acerto se amplificam. Estamos precisando quebrar paradigmas, até mesmo no futebol. Sem dar atenção às aparências, a verdadeira qualidade aparece e assim podemos avaliar com mais justiça.