
Discurso boleiro de novo presidente da Fifa é só fachada
O novo presidente eleito da Fifa, Gianni Infantino, é mais um produto da Era Blatter. O discurso “boleiro” em sua posse tentou enganar descaradamente as pessoas e esconder o que há por trás do suíço de 45 anos. Braço-direito de Michel Platini, banido pelo Comitê de Ética da Fifa por receber 2 milhões de francos suíços de Blatter, Infantino era secretário-geral da Uefa desde 2009.
Sua candidatura foi uma alternativa ao afastamento de Platini. Inicialmente, estava longe de ser um dos favoritos a vencer a disputa pela presidência. Mas, em pouco tempo, Infantino fez lobby com federações de países inexpressivos no futebol e prometeu cotas mais gordas, além de comentar sobre a possibilidade de a Copa de 2026 ter a participação de 40 seleções. Essa politicagem lhe garantiu a maioria dos votos.
Um Mundial com 32 países já é inchado e pra lá de político. Imagine com 40! O torneio que deveria ser a nata do futebol, ganha jogos com nível técnico baixíssimo. Na sua fala e postura, Infantino se diz um amante do futebol e que irá priorizar a recuperação da imagem e do respeito da Fifa. Porém, a incoerência já aparece quando o advogado suíço declara em sua posse que dará continuidade ao “belo trabalho” de Joseph Blatter.
A Fifa está tentando maquiar a imagem do novo presidente de qualquer jeito. É destaque no site oficial da entidade um vídeo de apresentação em que Gianni Infantino aparece jogando futebol — e sem a menor intimidade com a pelota.
Outra mostra do discurso enganoso de Infantino foi a sua confirmação de que a Copa de 22 será mesmo realizada no Catar. Algo absurdo, já que a compra de votos para a escolha da sede já foi provada e o país não possui tradição alguma no futebol. Fora isso, os jogos seriam disputados em um calor desumano, com temperaturas chegando a 50 graus.
Por enquanto, a Fifa só mostra mudança na imagem e no discurso. O pior é que pode enganar muita gente. Na estrutura e na prática, a mesmice continua. Para as coisas mudarem de fato, um bom início seria a mudança da sede para outro país. Afinal, na Suíça as coisas ficam mais fáceis para as movimentações de Blatter e seus discípulos.