Praia amontoada

O Brasil é um país regado de paraísos tropicais. Praia não nos falta — sobra, aliás. Porque na maior parte do ano elas ficam vazias, habitadas apenas pelos nativos. Poucos são os que tem o costume de sair da cidade com frequência para ver o mar. Os que mais fazem isso são os apreciadores do surf. Mas ora, por que esse desespero em ver água e areia justamente no fim do ano? Parece que, queremos nos amontoar. Amontoarmo-nos onde quer que estejamos, para confraternizar e se esbarrar.

O mal é o desrespeito ao terreno que não lhe pertence. O amontoado de gente desproporcional agradece a Terra hostilizando-a. O protagonista disso tudo, a fascinante natureza, sofre com a falta de educação coletiva. Pessoas depredam o próprio apreciamento, jogando qualquer tipo de lixo no solo. Parece pensarem que pagaram apenas pelo conteúdo, que a embalagem não é igualmente de sua responsabilidade. Não pagaram barato, ainda por cima, já que uma mera lata de cerveja não sai por menos de cinco reais. Pior: na imensa maioria das vezes, vem quente.

A aglomeração em todos os cantos e arredores das praias provoca a impaciência geral. Essa ocorre em todas as ações, desde a verificação de uma conta até o onipresente trânsito. Todos só relaxam quando estão na areia, ou, melhor ainda, no mar. Ah, o mar! Quando se está neste lugar delicioso, entra-se em êxtase e parece que a vida é esquecida. Tudo vale por este momento. Mas será que ele não pode ser aproveitado em outras épocas?