Por que gostamos do que nos faz mal?

A comida que faz mal à nossa saúde é a que nos vicia. O amor que não nos valoriza é o que nos escraviza.

Para não deixar infeliz a pessoa que amamos, podemos acabar aceitando uma submissão. Permitimos nos tornar servos, mas sem percebermos, por achar que estávamos apenas ajudando a pessoa amada.

Mesmo a pessoa agindo de maneira egoísta algumas vezes conosco e isto de certa forma nos deixando mal, sempre encontramos uma maneira de tentar entender, só para não brigar ou não afastar a pessoa amada.

Este medo do afastamento é o que nos escraviza, afinal a pessoa que amamos pode continuar sua vida só e nos deixar de lado, fazendo com que fiquemos submissos, aceitado e perdoando tudo. Perdoando gritos, perdoando maus tratos, perdoando o fato da pessoa que amamos conseguir tratar melhor outras pessoas do que a nós, que estamos sempre ali.

Isso não é bom. Esta situação vai nos anulando como pessoa. Estamos sempre nos anulando para deixar a outra pessoa feliz. Isto não é saudável e fica pior quando ela não reconhece os sacrifícios que fazemos. E, de tanto nos anular, podemos acabar perdendo nossa identidade, características e objetivos. Ficamos perdidos na cidade do coração partido.

Deixamos de lado nossa identidade, colocando todo o foco na pessoa amada. Mas isso não pode acontecer. Temos que recuperar o nosso “Eu”. Lembrar-se do quanto éramos felizes e dos nossos sonhos antes de conhecer esta pessoa amada, que está nos causando mal.

Mas é injusto colocar toda a culpa desta situação sobre o outro. Se estamos neste estado, sofrendo, preso, é por nossa culpa também. Às vezes pensamos em fugir, em nos afastar, mas isso não vai dar certo se o nosso coração ainda ficar preso. Temos que nos desapegar.

Sei que é difícil, já que, por estarmos submissos emocionalmente, acostumados a estar sofrendo calados, qualquer pequena demonstração de afeto por parte da pessoa amada acaba nos iludindo, nos fazendo pensar que aquela situação vale a pena, mas não vale. Isso só nos escraviza cada vez mais, pois o outro sabe que estamos querendo algum tipo de aprovação ou reconhecimento. Esta pessoa amada, propositalmente, pode não estar fazendo esses reconhecimentos de toda a nossa dedicação, porque, de alguma forma, está se beneficiando desta situação.

Nesta situação de servidão, nós não estamos vivendo nossa vida. Isto dói.

Precisamos seguir com a nossa vida sem medo de ficarmos sozinhos, pois não vamos ficar. Sempre existe uma nova pessoa e um novo amor. Às vezes está perto de nós mas não conseguimos enxergar, porque estamos com a mente nesse pseudo amor verdadeiro.

Não vale a pena ficar preso, implorando por um amor que não existe da outra parte. Temos que reconquistar a nossa independência, redescobrir a nossa identidade, avançar, dizer adeus, sem brigas, sem intrigas e sem maldade, mas ainda sim, preservar a amizade. Mostrar a pessoa que um dia amamos, que a superamos, que não somos escravos dela, que podemos ser felizes e realizar nossos sonhos sem ela.

Temos que nos amar mais.