Escritos de luto I

Meus olhos descem pela numeração que eu mesmo criei. Estou focado. Até mesmo escrevi - foi ontem? Estou em outra. Vejo sua foto e penso que a da semana passada estava bem melhor. Podia te dar esse toque, ainda que, na realidade, não eu esteja tão bem assim pra isso. Essa, a atual, é certamente mais fácil pra eu passar batido. Seus olhos em busca de algo que não se define. Não dizem nada pra mim. O pensamento daquela outra foto, a da semana passada, me distrái, assim como o medo, silencioso, de que talvez você ainda me seja mais importante mais do que gostaria de admitir. Dois círculos verdes atentos a algo que penso ser eu. Sempre quis que fosse eu. Porém, cá estamos. Jurei que nossa história já havia encerrado, e nisso de fato acredito. Não discutiremos sobre os mapas ou planos. A cartografia já foi traçada e os kilômetros de agora serão também os kilômetros do futuro. Encaro a minha lista, e agradeço a potência de tudo que tem me salvado de você. Desde que voltei, tenho reaprendido a amar as coisas. Essa semana, procurei me amar tanto que até esqueci que ainda te amo. Um descuido que a distância permite. E o medo. Nunca mais vou querer ser aquela matéria frágil que pede carinho e conforto. Venho procurado ser meu próprio abrigo. Não traço mais linhas ou certezas que fujam da lista que agora escrevo. Porque todos esses caminhos para além dos números que agora organizo me levam a você.
