Antonio Carlos

“Meu nome é Antônio Carlos, tenho 43 anos. Fiquei desempregado, eu trabalhava com entrega de gelo, e, como não podia ficar parado, eu e um amigo meu pegamos um carrinho de supermercado e começamos a catar, daí eu comprei um carrinho grande e não parei mais.”
“Já fiz cursos, até fui atrás de outros serviços, só que não tem vaga. Fiz o curso do “Todos Somos Porto Alegre” mas não consegui achar outro emprego, fui no SINE e tudo, mas não deu outro emprego. A única opção que deu pra poder tratar minha família fui ser catador; eu vivo do material que cato.”
(O que você acha do trabalho de catador?)
“Às vezes o cara sofre. Tem uns que rasgam o lixo, aí tu tá passando, eu nem chego porque se não né? Por isso eu gosto de ir pegar só nos meus prédios e deu né, cato também na rua, mas tenho minha clientela. O meu serviço não é muito bom, porque tu força, tem gente que não dá valor pro teu trabalho. Às vezes tu tá indo e tem gente que começa a buzinar, mesmo sabendo que tu não tem como sair dalí, vai ter que ir com o carrinho pra um lado ou outro, sem passar por cima da calçada, leva xingada; mas fazer o quê? É a vida. Mas tem gente boa também, que dão roupa, calçado, rancho. O dia a dia do cara é bem virado, tem dias que tu se dá muito bem, tem dias que tu se dá bem mal também, e tu tem que saber lidar com isso, são os altos e baixos.”
#CatdoresDeHistorias