
Gilmar
« Meu nome é Gilmar, eu vim de Tramandaí. Comecei a trabalhar de catador quando fiquei desempregado, não consegui arranjar outro serviço, então comecei a trabalhar de catador, isso já faz uns doze anos, muita coisa né, é que depois eu fui preso, daí ficou ruim ter serviço, né, pra quem é ex presidiário, a sociedade não aceita, aí fica mais difícil, bem mais difícil. «
« Eu comecei a catar, vi que tava dando dinheiro então continuei, dando dinheiro não…É bem mais fácil né, do que tá numa fila de emprego, chegar e já receber um não. Ser carroceiro não é um serviço mil maravilhas, mas dá pro cara sobreviver, pra comer dá, né, mas mesmo assim é ruim. O cara sofre aí pela sociedade, vê o cara com maus olhos, pensa que a maioria é ladrão que tá puxando carrinho, ou o cara reciclando com saco nas costas, que seja; a sociedade vê com maus olhos. «
« O maior desafio? Bah cara, desafio mesmo é o pessoal que a gente encontra na rua que olha com mau olhado, o resto é fácil, por que ter que acordar cedo pra ganhar o pão de cada dia faz parte de qualquer trabalho.»
(O que poderia ser feito pra melhorar as condições de trabalho de vocês?)
« Olha, pra melhorar, pra mim eles deveriam liberar mais o lixo pro pessoal que não tem condições poder trabalhar, porque agora tá acontecendo de ter outras empresas que vêm de caminhão tirar os lixos dos prédios, que tão tirando o lugar de quem só tem carrinho ou carrega nas costas mesmo. Ou montar uma cooperativa que ajudasse, que a prefeitura desse suporte.»
(Se você pudesse falar algo para o Prefeito, hoje, o que você diria?)
« Eu diria pra ele ajudar mais o povo, ainda mais os moradores de rua, porque eu já fui morador de rua, agora estou morando aqui, alugo uma pecinha, posso dormir tranquilo, tenho um banho quente. Isso que eu falaria pra ele, ah, e também umas outras coisinhas…»
#CatadoresDeHistorias