Transição em movimento: quais são as NoVaS ondas para a cena cultural
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Havia um balanço divertido no mundo da cultura, equilibrando o POP e a contracultura na mesma história da produção cultural. Mais parecia uma roda gigante estagnada, que nunca deixou um e outro na mesma linha do horizonte, pois o POP sempre esteve nas alturas do Mainstream, enquanto a contracultura, sempre abaixo do alcance da visão — no Underground.
O mundo da diversão e do entretenimento parece ser o único sentido da cultura POP, com meios de produção sofisticados voltados para um grande público, em contraposição a cultura de resistência do Underground, reduzidos a um reduto de críticos insatisfeitos com a proposta da cultura de massa. O Underground não visa agradar a opinião pública, nem tão pouco se estabelecer como um produto meramente lucrativo, mas produzir uma cena cultural independente onde se pudesse manifestar a liberdade de expressão e protestos contra um cenário visivelmente desigual.
Nesse balanço de controvérsias nasceu o Batman, o Superman, o Mickey Mouse e seus aliados do show business, que invadiram sutilmente o imaginário do mundo todo, e disseminou valores e produtos para gerações e gerações de consumidores. Não obstante, o Underground pariu o punk e ideais libertários, bem como a pratica do D.I.Y. (faça você mesmo), inconformados com a quantidade de desinformação e alienação que tais produtos despejavam no universo particular de toda a sociedade.
A televisão colocou toda cultura POP para dentro das casas de família, e o underground vomitou toda a sua rebeldia de volta para a sociedade. Os muros pichados eram cada vez mais frequentes, enquanto a guerra fria infiltrava seus exércitos na indústria do entretenimento. Foi nessa época que a indústria norte-americana achou legal criar um papagaio carioca, com seu jeito malandro e exibi-lo em um desenho infantil situado na região da Bahia, para o público brasileiro. O mesmo aconteceu no México, sempre onde pudesse expandir suas áreas de influência.
Posteriormente o Hip-Hop trouxe o rap, o breakdance, o graffiti e novas gírias como uma forma de emancipação das culturas locais nos subúrbios norte-americanos, e chamados de subcultura pela cultura dominante. Já na década de 90, o movimento social do Thug life, visando diminuir o número de mortes e violência nas áreas mais pobres dos EUA, parece ter também encontrado certo estranhamento com o mercado da indústria emergente do rap. Como explicar a contradição do rap — palavra de ordem e de expressão de uma cultura oprimida — ganhar destaque e rappers milionários ocupando espaços antes ocupado apenas pela cultura pop dominante?
Me parece que a entrada triunfal da cultura pop na década de 90, após a queda do muro de Berlim, até hoje, consegue encontrar novos aliados para o seu objetivo de propagar a diversão e o entretenimento para uma cultura de massa em prol do show business. Ideias e valores antes antagônicos foram diluídos e misturados em um liquidificador, e servidos a mesa em frente a sala de estar para os novos públicos mais jovens.
A nova onda da internet e o advento das mídias sociais, no entanto,trouxe novas possibilidades de difusão de informação e de conhecimento, tornando possível a produção local independente. Mas também continua a mercê de grandes grupos econômicos que, muitas vezes, utilizam dos dados pessoais de seus usuários para favorecer ainda mais a sua própria empresa. Nesse cenário, continua diluído ainda valores pertencentes ao campo da cultura POP e da contracultura, gerando manifestações como o funk de ostentação e outros virais que surfam na onda do momento, muitas vezes agenciados por organizações não governamentais que visam o empoderamento da cultura de comunidades em situação de vulnerabilidade.
Nesse contexto, surge uma necessidade emergente dos meios de comunicação convencionais de se reinventar perante as mídias sociais e a popularização da internet. Cada vez mais os quadros de televisão propõe um modelo dinâmico de interação com o público internauta, e o próprio youtube já incentiva o uso de seus estúdios em São Paulo para produtores culturais com mais de mil assinantes em seu canal.
Se antes a cultura POP ficava sempre por cima da contracultura, protegida por grandes grupos econômicos ligados ao show business, agora a tecnocracia dos youtubes, facebooks e googles da vida se tornaram verdadeiros “rivais” eficientes dos meios de comunicação convencional, capturando um público insatisfeito com a programação, e que optaram pelo uso da internet para consumir cultura e informação. Com isso, enquanto a audiência da televisão cai, cada vez mais a audiência da internet aumenta, propiciada principalmente pelas novas ferramentas e comodidades que os tecnocratas da rede virtual oferecem.
A roda gigante começa oscilar entre a produção cultural convencional e a emergência de novos produtores culturais, não que a produção cultural se reduza meramente aos meios de comunicação (longe disso!), mas que sem sombra de dúvidas, a questão que se coloca trás novos elementos para a discussão sobre o que é a cultura POP e o que é a cultura Underground. Seria então, a internet a nova alma da cultura POP que engole tudo que é novo e tem boa repercussão no público consumidor, ou seria essa a porta que se abriu para a liberdade de expressão de uma nova geração conectada com os novos valores de seu próprio tempo?
E a cultura Underground, cadê? Desceu do carrossel e foi brincar nas terras onde nada tava tranquilo nem favorável…… ou estava
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