SEU MISTO TINHA MUITA MANTEIGA

hoje acordei com você, não como costumávamos acordar todas as manhãs na mesma cama, mas você acordou comigo. memórias, sentimentos e até argumentos seus saíram comigo da cama essa manhã. tem dias que é assim mesmo: você nunca morreu pra mim.

“ele colocava muita manteiga no queijo quente”, minha mãe comentou. realmente, você colocava muita manteiga no seu misto. naqueles inúmeros mistos que comemos juntos pelas manhãs. hoje comi um sem tanta gordura, mas repleto de nostalgia.

hoje acordei triste, não por mim ou por você, mas por nós. como eu fui capaz de amar e me entregar tanto a uma pessoa que hoje não consigo mais ter um sentimento agradável? “onde foi que erramos?”, eu sempre me pergunto.

em nossos últimos contatos tu disseste que ainda sonhava com um “nós” de novo. infelizmente não dá mais: minha mãe já não gosta mais tanto de ti, meus primos não acreditam mais em você e meus amigos ressaltam que sempre me alertaram. e eu? ah, eu sempre tentei enxergar além do que você me mostrava. talvez esse tenha sido meu erro.

minha vida não anda perfeita, mas tem seguido seu caminho, a sua eu já não sei mais, as fofocas pararam de chegar. queria que, apesar do que me fez, fossemos amigos; compartilhássemos nem que fosse um pouco de todo sentimento que já trocamos entre nós. não deu! “quando foi que todo aquele amor se tornou desprezo?”

hoje acordei com você, mas não foi como quando havia um misto amanteigado me esperando na mesa. eu hoje saí da cama contigo, mas não foi acompanhado. eu hoje me levantei sozinho e é assim que quero continuar me levantando se você for minha única opção.

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