Atrás da porta

Pondero escrever sobre o dia que eu implorei para que você não me deixasse. Quando eu segurei seu braço com tamanha violência que minhas mãos ficaram marcadas ali por alguns minutos. Como fiz meus olhos de súplica penetrarem todas as suas dúvidas e você se conteve antes de atravessar o vão da porta. À noite, sentamos no concreto ainda quente porque havia pouco o calor era de quase 40 graus.

Um pouco antes você me perguntou: “Mas você me ama?” e eu me desesperei só de pensar na incomensurabilidade de tudo o que eu sentia. Às vezes eu queria.

(Achar um homem que não pensa que amá-lo é servi-lo)

E você achava que aquele era o ponto crucial em disputa. Você, que sequer aprendeu a amar uma mulher. Eu sabia que te amava mas não fazia sentido dizê-lo. Não me debulhei não me agarrei aos teus pelos teus cabelos teu cigarro ao teu pé ao pé da cama. Nunca consegui escrever essa história, tampouco interpretar esse papel. Foi você que me olhou choroso, e eu pensava que de todas as coisas que você deveria ter dito, você esperou que a menina que cresceu romantizando abuso ainda prevalecesse em mim. Talvez, se eu ainda fosse uma menina, você teria me destruído com isso que você chama de amor. Não, eu me recuso a escrever esse romance.

(Eu te adorei pelo avesso, mas sempre fui minha)

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