Escolha o mais difícil. Sempre.

Porque seguir pelo caminho mais difícil te fará melhor

Hoje pela manhã deixei minha esposa grávida de 8 meses dormindo enquanto me preparava para sair de casa. É um momento da gravidez em que sinto que minha participação nas tarefas domésticas é essencial para aliviá-la de todo o incômodo causado pela gravidez. Não é natural para mim assumir todas estas tarefas, mas sempre que possível tento fazer algo que possa tirar dela algum esforço.

Após o café da manhã, deixei uma xícara e alguns talheres na pia da cozinha. Não era uma grande quantidade de louça, logo, imaginei que ela pudesse dar conta e lavá-las. Esta era a decisão fácil.

Todos os dias lidamos com momentos de decisão, seja no trabalho, na vida pessoal, nos esportes, na saúde. A decisão intuitiva será sempre pelo de menor esforço, a que evita o conflito ou seja mais cômoda. O que não percebemos é que escolhendo a decisão fácil, estamos deixando de evoluir não só a nós mesmos, mas ao outro.

Tomando como exemplo o mundo corporativo, temos claros e fartos exemplos de momentos em que a decisão fácil é tomada. Se um colega falha na execução de sua atividade, é mais fácil aceitar e deixar que ele resolva por si só, ou mesmo que aceite as consequências que chamá-lo para um feedback de que o caminho seguido não é o mais adequado.

O mesmo podemos dizer quanto temos uma notícia ruim para dar a um cliente. Um atraso, um problema na qualidade do serviço prestado, cobrar uma pendência. O mais fácil será sempre esperar que o tempo passe e que ele se lembre de cobrar, caso ele cobre. Se não cobrar, fica por isso mesmo. Sobre uma pendência por parte dele, é mais fácil entender que ele conhece as consequências que alertá-lo sobre os possíveis impactos.

Decisões difíceis te fazem evoluir. Te ajudam a resolver. Te ajudam a enfrentar de frente o problema ou desafio, e ouvir da outra pessoa o que ela pensa. É a chance de errar, ouvir e aprender. O debate em termos das consequências do que está sendo falado exercita a empatia, nos coloca no lugar do outro. Ao mesmo tempo, traz a capacidade de se tornar adaptativo e criativo. Opções terão que ser abordadas, e com isso se trabalha sobre um conceito da negociação denominado ganha-ganha.

A discussão pode ser dura. Pessoas tem perfis e características diferentes, e isso as fará aceitarem de uma forma diferente o que está em jogo. Mas uma certeza existe: Se há um problema, o quanto antes ele for comunicado, mais tempo se tem para consertá-lo. Mesmo que doa. Há sempre o benefício da transparência, controle, parceria.

Se há um problema, o quanto antes ele for comunicado, mais tempo se tem para consertá-lo. Mesmo que doa.

De maneira geral, o ponto chave é captar a decisão. Parar de agir no automático e entender que durante o dia estamos de frente a inúmeras decisões, e que em algumas delas teremos a dura missão de pegar o caminho mais difícil.

A decisão difícil fará com que você enfrente o medo e apreensão. É uma representação do seu corpo sobre a condição de saída da zona de conforto. Uma situação atípica frente à sua forma de se relacionar, de lidar com situações adversas ou corriqueiras e mesmo discernir entre certo e errado. Colocar a decisão difícil em foco é trabalhar o cérebro de uma forma em que ele não está habituado, tornando-o mais ativo e preparado para enfrentar situações semelhantes no futuro.

A primeira decisão difícil a se tomar é aceitar que esta mudança na forma de agir é algo que trará uma mudança profunda, fazendo de você uma pessoa mais capaz de enfrentar problemas e também mais capaz de demonstrar empatia no relacionamento com outras pessoas.