Sobre pretos no topo e ascensão social

Quem me conhece sabe, amo rap (esse texto ilustra a paixão: https://goo.gl/CNrcDH). Recentemente um verso do Djonga, em Atletas do Ano me chamou a atenção: “Tô dando papo de visão, como você se sente vendo um preto em ascensão?”. E é disso que vou falar, ou pelo menos tentar.

Clipe da musica “Atletas do ano”: https://youtu.be/Ww42xcOqmX4

Negros na faculdade, ganhando Grammy e em altos cargos. Definitivamente, porém a passos curtos, pretos estão ganhando seu lugar ao sol. Dos 1% mais ricos do Brasil, 79% é formado por brancos e 17,4% de negros (segundo o IBGE). Na faculdade, temos 22,2% de pessoas brancas contra 9,5% de pessoas pretas. A ascensão dos pretos é notória, lembrando que ascensão não significa estar rico, mas sim em ação (inclusive cai bem foneticamente).

Pretos não são só porteiros, agora são advogados, são médicos, engenheiros e mais algumas profissões de prestígio, porém ainda incomodam um pouco. Segundo o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), Emerson Rocha, a percepção do racismo aumenta ao longo da distribuição de renda. “Quanto mais alto na escala social o negro subir, maior o peso do racismo, contrariando a ideia de que, no Brasil, o preto que enriquece é socialmente aceito como ‘branco’” .

Isso é simples de explicar: Na cabeça de muita gente, lugar do negro é em empregos subalternos, tipo limpando o chão do escritório ou manobrando o carro em algum prédio comercial, mas nunca como chefe numa reunião de negócios que pode selar a venda milionária de uma empresa.

O autor ainda completa: “O que a gente observa é que, à medida que os negros ascendem, novas formas de discriminação vão ganhando espaço. Mesmo com diplomas e carreiras bem-sucedidas, mais do que nunca, ele será um preto. E, para muitos, um corpo estranho e fora do lugar. As estruturas sociais ainda não estão preparadas para isso”.

Barack Obama na capa da revista Time

Figuras de sucesso, como Barack Obama (eleito personalidade do ano pela revista Times em 2012), Joaquim Barbosa e muitos outros também são ilustrações dessa ascensão. Pretos, que fazem sucesso e estão no topo. Mas ainda é um caminho árduo, ainda falta mais negros nos meios de comunicação, nas faculdades, ainda falta representação no governo e acima de tudo, o respeito.

    Vinícius Agrícola

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    De passagem pela Tijuca, moleque sagaz e com o cabelo quase sempre na régua

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