Sobre pretos no topo e ascensão social
Quem me conhece sabe, amo rap (esse texto ilustra a paixão: https://goo.gl/CNrcDH). Recentemente um verso do Djonga, em Atletas do Ano me chamou a atenção: “Tô dando papo de visão, como você se sente vendo um preto em ascensão?”. E é disso que vou falar, ou pelo menos tentar.

Negros na faculdade, ganhando Grammy e em altos cargos. Definitivamente, porém a passos curtos, pretos estão ganhando seu lugar ao sol. Dos 1% mais ricos do Brasil, 79% é formado por brancos e 17,4% de negros (segundo o IBGE). Na faculdade, temos 22,2% de pessoas brancas contra 9,5% de pessoas pretas. A ascensão dos pretos é notória, lembrando que ascensão não significa estar rico, mas sim em ação (inclusive cai bem foneticamente).
Pretos não são só porteiros, agora são advogados, são médicos, engenheiros e mais algumas profissões de prestígio, porém ainda incomodam um pouco. Segundo o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), Emerson Rocha, a percepção do racismo aumenta ao longo da distribuição de renda. “Quanto mais alto na escala social o negro subir, maior o peso do racismo, contrariando a ideia de que, no Brasil, o preto que enriquece é socialmente aceito como ‘branco’” .
Isso é simples de explicar: Na cabeça de muita gente, lugar do negro é em empregos subalternos, tipo limpando o chão do escritório ou manobrando o carro em algum prédio comercial, mas nunca como chefe numa reunião de negócios que pode selar a venda milionária de uma empresa.
O autor ainda completa: “O que a gente observa é que, à medida que os negros ascendem, novas formas de discriminação vão ganhando espaço. Mesmo com diplomas e carreiras bem-sucedidas, mais do que nunca, ele será um preto. E, para muitos, um corpo estranho e fora do lugar. As estruturas sociais ainda não estão preparadas para isso”.

Figuras de sucesso, como Barack Obama (eleito personalidade do ano pela revista Times em 2012), Joaquim Barbosa e muitos outros também são ilustrações dessa ascensão. Pretos, que fazem sucesso e estão no topo. Mas ainda é um caminho árduo, ainda falta mais negros nos meios de comunicação, nas faculdades, ainda falta representação no governo e acima de tudo, o respeito.