sempre tive dificuldade de escrever sobre você, sobre esse sentimento —meu, sobre nós.
já faz tanto tempo desde a última vez que te vi, e são nesses intervalos de tempo [longos como uma maldita eternidade] que confirmo que é, sim, muito mais que eu mesmo pensei que fosse.
te acompanhei pela janela enquanto via você se afastar. nunca quis ter deixado você ir embora. porque não sabia quando voltaria, ou se iria voltar. poderia fazer daquele fim de tarde o meu para sempre. café fresco, 70’ show, a gente deitado no sofá. sussurrei seu nome na esperança de fazer você voltar, de olhar para cima e me ver ali, te observando do quarto andar.
é difícil transcrever isso, mas sinto apertar incessante.
“tu me conhece tão bem” — você disse enquanto tinha o meu rosto rente ao seu e eu via as cores que reluziam em seus grandes olhos castanhos, e, foi nesse instante que descobri que você era diferente dos outros. e, que poderia me fazer melhor. poderia.
não foi assim, e tem sido cada vez mais difícil escrever sobre você.
eu fecho os olhos e te vejo, sinto seu cheiro e consigo recriar as melhores cenas que tivemos juntos na minha cabeça. com maestria. e dói.
dói porque imaginar que o que acelera minha frequência cardíaca, faz transpirar a palma da mão, para você pode não significar nada.
dói porque apesar de saber o quanto eu te conheço, ainda tenho um universo inteiro a descobrir. dói, porque desse universo eu queria te fazer meu Sol e girar em torno de você, como a Terra.
dói lembrar daquele abraço apertado que você me deu no meio da noite dizendo o quando você gostava de mim.
às vezes me sinto como um moinho, sabe? que precisa da energia de outros elementos para praticar sua função. me sinto aqui parado e só funciono quando o peso da sua presença passa por minhas lâminas. fazendo girar. fazendo moer. grão por grão. cada centímetro do meu corpo.
sempre fui esse poço de incertezas e indecisões. me sinto correndo na contramão da estrada, sempre para o lado oposto e quando estou preste a colidir e morrer [te deixar morrer], você reaparece, me salva do meu desastre e me mostra como é bom se sentir vivo.
não quero ter que ir embora, já te falei de tudo e usei de toda honestidade.
tem sido cada vez mais difícil escrever sobre você, b. mas eu tento.
