Ser

A cada deixa que a vida me dá

Enxergo com prazer a ideia de estar aqui

De ser, de sentir, mais sentir do que ser

Para que serve a vida além do sentir?

O caos suburbano me faz indagar

À que preço estamos presos à isso?

No fundo sabemos que a leveza da existência sobrepõe essa loucura cotidiana

Sofremos demais para desfrutar de muito pouco

E nos instante do orgasmo, seja ele qual for

Nos damos conta da dádiva que é estarmos vivos

Quando se notar que o respirar é mais precioso do que o trabalhar

Quando o chorar nos mostrar que somos muito mais emoção do que razão

Quando a coincidência se mostra muito mais bonita do que o programado

Quando aceitarmos que a dualidade nos pertence

Que o bem e o mal se completam em um contexto geral

Quando aceitarmos tudo isso, que é somente uma pequena fração das aceitações pendentes

A vida melhora, irmão

O fardo fica mais leve, a vida não é uma batalha

A vida não é um jogo, ninguém sai vencedor

O vencer está muito mais ligado à paz de espírito do que ao atingimento de meta

E ainda sim não é vitória, é plenitude

“Pra quê serve a vida?”

Talvez seja a pergunta mais complexa e mais óbvia que o homem já fez

Dualidade.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.