Você se salva

Ouvir Caetano não te torna melhor do que ninguém.

Esse é um exemplo simples de uma percepção que adquirimos depois de um certo tempo. Desde muito cedo somos condicionados, nossos sonhos, juntamente com o nosso próprio ser, são violados sem que nem percebamos. Vivemos os sonhos dos nossos pais, escutamos as músicas que nos parecem mais convenientes, dançamos da maneira mais apropriada para a ocasião, nos embriagamos para tentar fugir, nem que por um segundo sequer desse ser robótico que nos tornamos. Aprendemos o que querem que aprendamos. Nos dão a liberdade de questionar (até certo ponto). Ir muito além nos fazem pensar sem perigoso.

Perigoso mesmo é viver uma vida de mentira, numa rotina indestrutível, tão indestrutível, que quando nos lembramos dos nossos sonhos de criança, caímos em risada, parecem ter se tornado uma piada utópica — utópica, o que é o pior. O frio na barriga que dá no pequeno instante em que supomos largar tudo para trás e ir vivenciar/sentir o que o nosso coração diz, deveria ser levado mais à sério. Um dia eu sei que irei levar. O medo de um futuro incerto ainda me amedronta, admito. As contradições que ainda carrego na alma, por enquanto parecem serem irrompíveis: a vontade de ter uma estabilidade financeira ao mesmo tempo que almejo uma vida simplória, o desejo de possuir juntamente com a ideia do desapego. Minh'alma lá em suas profundezas sabe bem o que quer, mas as amarras ainda me impedem de chegar até lá. Um dia eu hei de chegar, só espero que não demore; enquanto isso, me desconstruo um pouco mais a cada minuto.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.