Os seguidores de Bolsonaro na internet refletem sua popularidade nas ruas

Vinícius Novelli
Nov 7 · 3 min read

Apesar de desacreditar de institutos há muito estabelecidos, dados da própria rede social confirmam as tendências apontadas nas pesquisas

O presidente Jair Bolsonaro — 06/11/2019 (Isac Nóbrega/PR)

Importando o “megafone” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o líder brasileiro, Jair Bolsonaro, decidiu eleger o Twitter como principal canal de comunicação com a sociedade ao mesmo tempo que desdenha de pesquisas de opinião. Entretanto, levanto um levantamento em seus seguidores mostra que a porcentagens de adeptos ao presidente segue a mesma tendência apontada nas pesquisas de opinião.

Os resultados do levantamento em sua conta no Twitter revelam que os seguidores do presidente se aglomeram nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, tendo o Nordeste como sua menor taxa de adeptos na rede social.

Segundo levantamento realizado pela reportagem, 64,5% dos seguidores do presidente se localizam na região Sul/Sudeste; 23,3% Norte/Centro-oeste e 12,1% no Nordeste.

Já a pesquisa Ibope de junho deste ano traz os seguintes números: na região Sul/Sudeste, os índices de aprovação do presidente eram de 52%, no Norte/Centro-Oeste de 32% e a menor sendo no Nordeste, com 17%.

Colocando lado a lado os resultados do levantamento de seguidores e a aprovação do presidente registrada pelo Ibope, chega-se ao seguinte gráfico:

Como pode se perceber, a popularidade de Bolsonaro nas redes segue a mesma tendência das ruas. Contudo, nos meses seguintes, a taxa de aprovação do presidente caiu na região Sul/Sudeste e se manteve praticamente a mesma nas demais — o resulta coincide com o período em que ocorreu as queimadas na Floresta Amazônica.

Essa nova pesquisa do Ibope, disponibilizada em setembro, trouxe uma queda de 16 pontos na aprovação na região Sul/Sudeste.

Apesar da queda de popularidade nessas regiões, um padrão se manteve por todo o ano, o nordeste se mostra resistente ao presidente.

A impopularidade de Bolsonaro nessa região pode ser explicada tanto pela região ser um reduto de eleitores de esquerda, quanto pela antipatia que o presidente demonstra contra os governadores e líderes políticos locais.

Na do dia 20 de julho, o presidente se referiu ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA), de “aquele governador de ‘Paraíba’” durante um café da manhã com jornalistas — o termo “Paraíba” é usado pejorativamente contra nordestinos que se encontram fora da região , principalmente no sudeste — ameaçando a paralisação de envio de recursos da União ao Estado.

Entretanto, estima-se que a base eleitoral do presidente beira cerca de um terço dos eleitores de todos o país. Por enquanto é improvável que sua popularidade abaixe dos 33%.

Método

Para a elaboração desse material, foi necessário o acesso à plataforma de desenvolvimento do Twitter, sendo ela a rede social mais aberta à coleta de dados.

Para a coleta através da API, foi necessário utilizar a linguagem de programação Python importando as bibliotecas Pandas e Numpy para guardar, analisar e transformar os dados em informação.

Entretanto, a API do Twitter limita o uso em sua versão gratuita. Por permitir que se colete apenas dados de 3.600 seguidores por hora, demoraria mais de 50 dias para analisar seus 5 milhões seguidores. Portanto, o recorte foi delimitado em uma amostra de 4.093 contas, com margem de erro de 2% para mais ou para menos.

    Vinícius Novelli

    22 anos, jornalista e fotógrafo.

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