
Guardas noturnos, de uma fábrica que produz qualquer merda que valha a pena ser roubada, ou não. A temperatura era de -6 graus, 1h da manhã, trabalhariam até às 7h da manhã e ganhariam 10 dólares a hora. A neblina cobria a cidade e ofuscava o brilho das luzes dos postes, o inverno acabará de chegar, os dois fumavam, escorados num portão de ferro que absorvia todo o frio daquela noite.
— Então, mais uma noite companheiro.
— É
— Deveríamos estar em casa, transando com nossas mulheres que já não sentem mais nada por nós.
— Concordo.
— Você nunca foi muito de falar não é?
— Nunca me importei muito com isso.
— Falar?
— É.
— Eu trouxe vinho, você quer?
— Sim.
— Será que algum dia, conseguiremos viver sem fazer esses bicos de merda?
— Provavelmente não.
— Seja mais positivo, cara.
— Então, o quer que eu diga.
— Sei lá, alguma coisa que queira dizer.
— Eu não consigo suportar a humanidade, todos me dão ânsia de vômito, eu odeio suas personalidades moldadas a partir de suas frustrações estúpidas e do egoísmo que impera em cada filho da puta, que finge se importar com algo, além do próprio rabo.
— Caralho… Seja mais positivo cara.
— Puta que pariu! Hahahaha!
— Hahahaha! A vida é uma puta mesmo.
— As putas nós podemos suporta-las, até ama-las, a vida é outra coisa.
— Tipo o que?
— Eu não sei, não tem definição, mas é pior do que merda.
— O que pode ser pior do que merda?
— A vida.
— Seja mais positivo cara. Hahahaha!
— Vá se foder! Hahahaha!
Revezaram a garrafa de vinho o resto da noite e fumaram 100 cigarros, fizeram suas rondas e sentiram todo o frio do começo do inverno, inverno que não tem e nem nunca terá, pena de ninguém. Não havia nada que se pudesse fazer para que a noite se tornasse mais suportável o vinho e o cigarro eram a única defesa que eles tinham contra os pensamentos suicidas que se tem, quando se vive uma vida tão medíocre.