LEVE

Leve, como a pluma que paira pelos cantos fúnebres. Dos quartos de ignaros, que morrem a luz do sol, se obrigados a não injetar sua semi-letal dose diária de heroína…

Leve, como um ultimo piscar de olhos. Antes de a bala partir o crânio em 22 pedaços, espalhando os miolos pela calçada de uma inóspita velha pré histórica…

Leve, como a última dor que ela sentiu. Antes de agonizar durante as cinquenta estocadas dadas, pelo encapuzado, que só se pode ver os dentes, que só se pode ouvir os repugnantes gemidos, antes dela sentir apenas o desejo, pela morte…

Leve, como a estupida mosca, que morreu na panela de feijão, que foi servido à rainha, que logo viu, cuspiu, e ordenou o enforcamento do cozinheiro…

Leve como os primeiros ventos do furacão Katrina…

Leve, como o peso das mortes, para o soldado em guerra, que já perdeu as contas…

Leve, hoje, leve, infelizmente, leve, para sempre, leve para longe, se puder, o que puder…

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