“Acabou” como eu queria banir essa palavra da minha vida. Acabar significava fim, tristeza, mudança, dor, falta de esperança. Quantas vezes eu terei que catar caco por caco do meu coração e recompo-lo? E se algum dia eu não tiver mais capacidade para isso, quem o fará? Ainda que isso me torne mais experiente, mais precavida. Não vejo nenhuma vantagem em ser expert em dores de amor. E quando o primeiro momento de ausência chegava, eu sentia como uma injeção entrando nos meus vasos imobilizando meu corpo todo. Eu me sentia tão vulnerável, tão miserável. Eu não queria que você tivesse esse poder de me desestruturar assim. Mas você tem. E lá vou eu tentar de todas as maneiras banir você do meu sistema. Como dói, como sangra. Não vejo outra maneira de explicar a dor de amor se não metaforicamente. É como se eu tivesse inúmeras picadas de serpente pelo meu corpo e carecece sugar o veneno de cada uma para sobreviver. E caso não o fizesse, me matariam. A dor me fazia suspirar violentamente, ao passo que, aos poucos, me tornava a lucidez que tivera outrora, antes de te conhecer.

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