Gentileza é item supérfulo?

Vini Cassol
Nov 3 · 3 min read

Sempre fui um cara chato. As vezes muito chato. Cri-cri. Gosto das coisas nos conformes. Não gosto de quem resolve tudo com "jeitinho". Com o passar dos anos, pude aprender que ser "assim chato" não é ruim, mas pode ser um valor. Certa vez, em uma festa, um amigo me disse: Seja sempre gentil. Com todos. Isso foi lá por 2016, ou 17. não me lembro. Mas desde então foi algo que eu passei a observar e colocar em prática sempre que possível.

Hoje, casualmente, acordei bem e automaticamente me veio em mente este pensamento: ser gentil. Planejei o domingo para colocar a vida em dia: ir na academia, fazer supermercado, trabalhar um pouco e planejar a semana. Porém, no processo de sair da academia e fazer supermercado uma sequencia de situações me fizeram refletir e parar para escrever este texto. As pessoas não são gentis.

O que eu acho engraçado é quando a pessoa trabalha, trabalha, trabalha, guarda dinheiro e faz uma viagem pra Europa ou Estados Unidos e quando volta pro Brasil, volta impressionada: Nossa, lá todo mundo é gentil. Todo motorista para na faixa. Ninguém fura fila. Por qualquer coisinha já estão dizendo "sorry". Isso sim que é educação. É o primeiro mundo. O triste é que essa mesma pessoa que por algum tempinho viveu o primeiro mundo e volta impressionada faz exatamente o contrário na sua rotina.

Pois bem, voltemos aos fatos de hoje. Saí da academia e, em direção ao estacionamento, passei pela praça de alimentação. O espaço é apertado, cheio de mesinhas e cadeiras. Vi que uma mulher vinha em direção à mesa carregando várias bebidas e que se eu seguisse meu caminho, iriamos colidir. Então, antecipadamente, parei e fiquei esperando ela passar. Ela me olhou, passou e não disse nada. Deu pra sentir que ela pensou em dizer obrigado. Mas não disse. Uma abordagem educativa que tenho usado foi: segui olhando pra ela e disse de nada. O semblante dela foi de quem queria abrir um buraco no chão e enfiar a cabeça dentro.

A outra situação foi na saída do estacionamento. Parei e fiz sinal para um motorista que estava esperando de que ele poderia passar pois eu iria aguardar. Ele passou e agradeceu ❤. Eu gosto da lógica de um de cada lado. Em outras palavras, depois da gentileza, seria legal se o proximo carro retribuísse permitindo a minha passagem. #sóQueNão. O próximo carro, um Honda, era guiado por um senhor que não foi gentil e passou na minha frente como quem diz: você abriu a porteira, agora espera a boiada passar. E esperei. 6 carros passaram e nenhum foi gentil. Mas tudo bem, deviam estar todos com muita pressa. Segui meu caminho sem dar muita bola. Chegando no bairro, quase em casa pensei: ser gentil não custa nada, nem tempo. Mas por quê esta constatação? Porque novamente, no sinal, estávamos lado a lado eu e o Senhor Honda.

Todas as tardes escuto o Ico Thomas no programa Happy Hour da Band News FM. Uma coisa que o Ico já falou algumas vezes e concordo plenamente, é que a humanidade está doente. E isso se comprova quando falamos em corrupção e que os politicos não são honestos, mas quantas coisas fazemos dando um jeitinho ou apenas pensando em nós próprios?

Das paredes e muros cariocas, para a vida.

Por fim, um lema que ajudaria nessa bagunça do mundo moderno é a frase que vemos embelezando vários lugares. Como dizia o poeta carioca José Datrino: Gentileza gera gentileza. E, sobre os fatos de hoje, acredito que a senhora das bebidas, com certeza em breve deverá demonstrar gentileza. O semblante dela disse isso. Já o Senhor Honda… esse eu não sei. Talvez ele siga impressionado em ver como as pessoas são gentis e respeitosas no primeiro mundo. Reclamar sempre é mais fácil não é mesmo?

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