Autoconhecimento: um desafio pouco enfrentado

Um pouco sobre a nossa incrível tendência pela fuga de si mesmos.

Não é raro encontrar jovens que busquem nas noites agitadas, bebedeiras insanas, em frequentes eventos sociais de alto status ou mesmo preenchendo dias da semana com paqueras sem sentido, um antídoto para uma existência algumas vezes, vazia. De modo algum critico quem faz isso por motivos conscientes, algo bem diferente de esconder-se de si na busca incessante por status social ou então, evitando estar a sós com a própria consciência.

Iniciar na prática da meditação e a leitura de alguns artigos e livros de grandes pensadores recentes— citando os que mais gosto: Osho, Krishnamurti e Eckart Tolle, este último, mais atual — me fez abrir a mente para um universo interno extremamente rico em conteúdo, tamanho e complexidade. Vou explicar. No momento em que compreendi o processo de formação dos pensamentos, das respostas nossas aos estímulos do mundo exterior e interior; jamais voltei a pensar do mesmo modo, e passei a enxergar a vida de modo totalmente diferente.

Despertar da inconsciência é estar aqui e agora. Não mais preso ao passado, ou mesmo pensando demasiadamente no futuro, características que levam á depressão e ansiedade respectivamente. Começar a questionar o que até então sempre foi inquestionável…realmente tem o poder de te deixar atordoado. Mas então, qual é o desafio imposto nisso que eu estou tentando dizer? É apenas tirar um tempo para si, sentar, respirar um pouco e está tudo bem?

Para começar, tirar um tempo para si é quem sabe o maior desafio desta primeira caminhada. Desafio este muito mais para si mesmo do que para convencer as pessoas á sua volta de que você precisa dar um tempo na agitação.

Foi neste momento, após afastar-me do fluxo frenético da movimentação social, que eu entrei em contato com assuntos internos até agora desconhecidos, entrei em contato comigo e busquei aprender a manter-me no momento presente. É bem nessa hora que você se dá conta da quantidade inimaginável de máscaras que você criou para que fosse aceito por pessoas, grupos, ambientes e a sociedade. Tirá-las te perturba, é seguro e conveniente mantê-las. Até porque de tanto tempo que viveu com elas, algumas se tornaram parte do seu “eu”, foram úteis, te permitiram adentrar em círculos sociais que você entendeu que precisaria entrar…mas precisava mesmo? A sociedade diz que sim. Mas você tem o poder de decisão, mesmo que não faça uso dele.

Diariamente somos metralhados por conceitos de vida artificiais, livres de problemas, cem por cento felizes e maravilhosos, e isso é utopia; ou melhor definindo, uma distopia…pois precisamos de momentos tristes para assim compreender o significado da felicidade, é um contraponto essencial. Estes conceitos implícitos nos mostram como deveríamos agir, que lugares deveríamos frequentar e com quem deveríamos conviver num grupo de pessoas visando maior prestígio social.

Acontece que segundo minha percepção, no campo social, apenas trinta ou quarenta por cento do seu comportamento, realmente contém traços naturais seus, de qualquer modo a proporção varia de pessoa para pessoa, ou seja, boa parte do que você faz é feito porque você entendeu através de mensagens diretas ou subliminares da sociedade, que precisa fazer ou agir de determinado modo. Do contrário será rejeitado, deslocado e considerado inadequado direta ou indiretamente; e lidar com isso sem se estar consciente no agora, é uma batalha e tanto.

Em meio a tudo isso, tente tirar um tempo para si, busque entender melhor o imenso e inacreditável mundo da nossa própria mente. Meditar. Respirar. Desacelerar. Transcender.

Assim começa o processo de desfazer-se das máscaras criadas ao longo do tempo e o consequente contato com a própria essência do “eu”. Certamente você travará batalhas com seu passado, pois algumas máscaras escondem a incapacidade de lidarmos corajosamente com traços não tão amigáveis da nossa personalidade, por isso escondê-los foi conveniente até agora. Mas até quando será?

Como dizia Sócrates, precisamos conhecer a nós mesmos para saber como modificar a nossa relação para consigo, com os outros e com o mundo. Busque este autoconhecimento, enfrente seus fantasmas, quebre as suas máscaras e então conhecerá uma pessoa tão incrível como jamais havia mostrado ser; e posso contar-te um segredo: este é você.


“Se você não for capaz de enfrentar os seus fantasmas, terá que conviver com eles o resto da sua vida.”

Augusto Cury

Vinicius Vicenzi Bett

Written by

engineering student . hyperfocus: psychology and human behaviour . logical mind that loves physics and calculus, but connected to art, books and good music

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