Tudo começa lindo e com um leve e acolhedor clima.

Final Fantasy XV: A síntese do anime.

Descrever minha experiência com esse jogo, provavelmente vai ser uma confusão enorme, pois ele possui muitas características que o tornam bom, porém ao mesmo tempo várias que o fazem um jogo medíocre. Ao longo de 10 anos ele atraiu pra si muita atenção, e talvez mais do que devia para seu próprio bem, foi um verdadeiro marketing de guerrilha, criando uma expectativa tão grande nos últimos anos que é quase impossível julgar o produto final sem levar isso em consideração.

Final Fantasy XV é um jogo que antes mesmo de ser lançado já era um produto multimídia, e para nos aquecer para o aguardado lançamento foram lançados um anime e um filme, preparando terreno e quem sabe até acrescentando um pouco a lore do jogo, ambos serviram como um prólogo para o jogo, porém foram miseravelmente aproveitados, vários eventos que pareciam ser algo interessante a ser desenvolvido no jogo, foram deixados de lado. O anime, ainda possui uma carga maior in-game, ele nos mostra o passado dos personagens que acompanham Noctis, Gladio, Ignis e Prompto, nos revelando um pouco de suas motivações e estabelecendo uma personalidade para cada, e isso o jogo faz bem ao mencionar, pois fica em nuances que são absorvidas com o tempo no jogo, seja no vicio de Prompto em fast-food ou na maneira como Gladio pega pesado com Noctis. Mas ao que interessa, o jogo.

Já tirando da reta o ponto mais importante e polêmico dentro do jogo, seu combate, houve uma mudança em relação aos títulos anteriores, pois esse não mais conta com um combate por turnos, a desenvolvedora foi totalmente para o action-rpg, isso em seu anúncio foi um divisor de opiniões, mas hoje em dia quase todo mundo deixou isso pra trás e aceitou que foi uma ótima decisão, pois é definitivamente o ponto mais forte do jogo e foi o que direcionou a franquia para um público maior. O combate infelizmente possui aquele problema impertinente com a câmera, seja em lugares pequenos ou contra grandes inimigos, ela se perde e torna a experiência ligeiramente desconfortável, mas ainda sim o combate é muito agradável e é o que te prende ao jogo, que se utiliza de qualquer desculpa para fazer você sair batalhando ao redor de todo o mapa, e isso nos leva a outro ponto importante, que é o mundo aberto e seu conteúdo, e já ressalto aqui, como muitos já sabem o jogo se passa parte em mundo aberto e parte linear, ou seja, a experiência pode ser muito diferente dependendo da forma com que você vai encarar o jogo, pois se simplesmente seguir os capítulos, não explorar, se fortalecer e descobrir os segredos nesse mundo, você pode perder boa parte da experiência.

Quando se trata de um mundo aberto, o que mais vale é o seu conteúdo e a qualidade disso, e se tratando de um RPG, é óbvio que algo de extrema importância como sidequests não pode ser deixado de lado, e há relativamente várias, sejam sidequests ou as chamadas caçadas, onde você recebe a tarefa de eliminar alguns monstros em certos lugares do mapa ou até dentro de dungeons, e é ai que o jogo peca de uma maneira absurda, simplesmente não há profundidade alguma em tudo isso. As caçadas são raramente justificadas dentro do jogo, fazendo parecer muitas vezes que acontecem simplesmente por esporte, e as sidequests são o ponto mais fraco de tudo isso, a narrativa é preguiçosa e o jogo não se preocupa em lhe dar uma variedade de tarefas para cumprir, em sua maior parte se resumem a encontrar algo e eliminar inimigos, o que me lembra muito MMORPGs, e confesso que demorei para perceber isso, certa quest um NPC informa que teve sua van atacada e lhe pede para verificar o local e retornar sua carga, ao concluí-la voltei, e fui simplesmente informado que outra de suas vans foi atacada em outro local e devo ir recuperar sua carga, e isso me despertou e me fez olhar para trás no jogo, e eu realmente estava fazendo as mesmas coisas, só que em lugares diferentes, e isso é triste, pois todo o conceito das quests e seu design parece que ficaram presos 10 anos atrás e não evoluiu junto à indústria, o que nos faz olhar aos grandes RPGs que foram lançados desde que o jogo foi anunciado, e revela que Final Fantasy XV não fez sua lição de casa, pois falta profundidade.

Não há profundidade alguma no mundo e em suas sidequests e isso se aplica parcialmente a sua narrativa, que gira apenas ao redor de sua trama e do que acontece ao longo dela, os personagens são pouco desenvolvidos, porém, possuem uma personalidade muito pontual, ainda sim trazendo com si seus arquétipos, seja no amigo brincalhão que tem seu lado melancólico, ou no seu senpai que te encoraja e lhe da lições de moral, todos eles são bem colocados onde pertencem na história, e com certeza essa seria a cereja no bolo. Seja no combate ou simplesmente te acompanhando, seus amigos possuem cada, uma função específica, no combate ou narrativa sua participação é de um valor imensurável, e você acaba levando em consideração todos eles, e isso ao decorrer do jogo adiciona muito a narrativa, pois é quando estamos sozinhos que damos valor a quem está ao nosso lado, a relação deles é o acelerador e a corrente que faz de Final Fantasy XV um bom jogo.

Algo que também faz parte essencial da narrativa e adiciona muito a ela são os Summons, houve muita crítica em relação as “condições” necessárias para de fato utilizá-las, porém uma maneira muito balanceada foi encontrada para isso, sendo um jogo com foco na ação em tempo real, elas são um trunfo importante e muito fortes, então utilizá-las constantemente quebraria o intuito do jogo, e a narrativa se beneficia disso, pois isso garante a eles personalidade, são de deuses que estamos falando, achas que um deus viria a teu auxílio por qualquer empecilho?

No final, Final Fantasy XV acabou com um saldo positivo, a trama principal acontece de maneira corrida quando fica linear, mas quando isso aconteceu já tinha jogado e explorado muito o que o jogo tinha a oferecer, apesar de não desenvolver muito bem seus personagens e deixar alguns detalhes de fora, a história foi competente em sua proposta e fez jus ao título. E foram pequenos detalhes mostram o que foi feito nesses 10 anos, sejam as detalhadas animações dos personagens, quando andando na praia e enquanto correm dão uma ajeitada no sapato para tirar areia ou na execução de seu combate que acontece de uma maneira fluída.

E um universo imersivo, uma roadtrip com seus brothers — e não esqueçamos de nosso herói Regalia — e um combate agradável, foram os fatores que tornaram esse jogo algo tão confortável, mas final de ano com tantos jogos bons saindo, é uma pena que ele não tenha a profundidade para me dar uma boa desculpa e me fazer voltar a ele.

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