FILHOS DO DONO

Aí você é chamado.

Muitos anos trabalhando como freelancer e sempre recebendo propostas para trabalhar efetivamente na empresa, de modo fixo. Empresa grande em seu meio, por anos líder de seu nicho e nesse momento de expansão ligam novamente oferecendo uma vaga.

Hárpia, nome fictício de uma farsa profissional (guardem esse nome, aparecerá em vários textos de maneira quase mítica), pseudo-diretor de criação/arte/genialidade, que na verdade tinha como função ser filho do dono, liga bradando o quão maravilhoso seria a ida para a empresa, apontando liberdade criativa, ambiente maravilhoso e todas as maravilhas que a perfídia pode apresentar.

Até então, conhecendo o livro somente pela capa, você aceita a oferta. Um dos poucos grandes erros que se comete na vida.

Interessante é você conhecer um sistema medieval de trabalho face a face, poder ver o quão baixo o ser humano pode ser sob a égide do nepotismo. Funcionários subjugados por uma mente medíocre, fraca e incapaz, baseada em ideias e conceitos estapafúrdios.

Mais interessante ainda é descobrir que há no mercado empresas que utilizam o mesmo sistema: nepotismo acéfalo. Empresas familiares onde filhos de dono se utilizam desse “status” para impor suas ideias e impedir avanços, seja por problemas de ego, seja por incapacidade mesmo.

Se você é filho do dono e usa isso como instrumento de trabalho, provavelmente você é extremamente burro, egocêntrico, incapaz de digerir críticas e transformá-las em pró-atividade, tem uma visão própria de mundo (deturpada) e transfere toda culpa de uma ação ou produto mal sucedido, por orientações sua, aos funcionários que, por pura obrigação ou pena, não recalcitram.