O Cliente Espanador

Aí o cliente liga.

Lembra que uma vez já trabalharam juntos e que está numa nova empresa, aquela mesma que ele falava tanto mal quando estava na recém desvencilhada.

Agora não somente é gerente comercial, mas também “cuida” do marketing.

Chega na agência cheio de planos: revitalizar o logo, mudar as embalagens, refazer todo o material impresso e repensar a comunicação visual. Uma vitalidade de dar inveja, um monólogo muito bonito, quase que filosófico, ressaltando o que suas mudanças farão. Afirmando.

Enquanto isso a gente analisa a linguagem corporal, já digerindo e organizando ideias para as tais necessidades que o cliente já tem a certeza que funcionarão, até se empolga com ele, dançando a mesma música que ele entoa.

No momento oportuno, naquela pausa jubilosa em que o cliente olha nos seus olhos, sorriso largo, perguntando se não achamos o quão maravilhosa são suas ideias, pergunta-se: você tem pesquisa disso tudo? Essas ações serão comunicadas de maneira apropriada tanto ao usuário quanto internamente? Em quanto tempo quer um retorno? Mídia? Promotores terão treinamento? Verba? … … … …

Em menos de 60 segundos de indagações básicas, aquele sorriso dourado de um alpinista que venceu a montanha, se torna amarelo e frágil, o olhar agora está perdido entre os objetos da mesa.

Veja, estamos começando um trabalho… — Começa ele…

Esse é um exemplo perfeito do cliente expanador. Faz, acontece, discute, mil ideias… Porém ações sem sentido nenhum, sem coerência, não engedradas de forma objetiva, para inglês ver. Chega na empresa com seu expanador mágico e maroto, faz aquela poeira, muda móveis da esquerda para a direita, 3 milímetros às vezes, no final, quando a poeira assenta, está tudo igual ou pior, e ele isento de reponsabilidade, já que aos olhos do dono da empresa ele saracuteou e suou.

Aí, sem resultados, a culpa é da crise, do mercado, da agência.