história mal contada (10/2016)

minhas histórias mal contadas

são pequenezas abstratas:

aqui caem, aqui conversam, aqui me enterram.

me levam à apuros que,

convenhamos,

são tão evitáveis por natureza.


prometem tanto e não trazem nada,

me fazem de besta

e saem dando risada.

é complicado.

num mundo que nos despe cada vez mais,

as avenidas se criam todas iguais:

sem graça;

sem cor;

sem jeito.

como abraça-las sem morrer de cara no asfalto?


de fato, não dá pra negar;

quem gosta de história

tem de saber dizer e contar,

e não da pra contar e deixar rabo solto.

isso mesmo.

logo eu,

que sempre tive rabo preso

com tantos problemas.


problemas esses,

que passeiam de pecados acumulados

a caminhos pouco trilhados,

presos a um ponto de paz, que por si só não larga da utopia.

difícil.

meu saco já dorme tão cheio quanto o trânsito paulista.

nessa hierarquia da corrida cotidiana, meus olhos são anarquistas

e me jogam pra fora da pista.


e serei sincero: já me cansei de me cansar disso,

mas ainda vou me cansar muito mais.

fazer o quê?

de história a gente se cansa

e não se orgulha de inventar.

mentira ou verdade,

por bem ou por mal,

um caso é uma história à parte

pra gente descansar.

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