tempo (03/2016)

Meu bom pedaço

É o tempo a desgastar

À meia-lua que eu vivi

E vivo pra estar


Sou um pássaro tão leve

Que de leve fui ao chão

Quando a noite não dormi

E passei a vida inteira sem pensar


Esta é minha tatuagem:

Que me pune severa,

Dormente sobre os calos

Desta minha pele seca

Grudada aos ossos de um corpo

De trajes tão magros, finos

De alguém que mal pode gozar dos próprios pecados

Eu podia rir

Se não fosse menos errado


Está entregue a rosa podre

Pro adeus que vem e espera pra chegar

Já que o pouco tudo de agora

Se perde no aguardo do ficar