A coisa

A coisa é uma dorzinha surda,

Discreta, no fundo da cabeça.

Maldita… nem parece estar lá

Até você notar.

Então, de repente, se apresenta

Enorme

E cresce

Expande

Nausea

E, pouco a pouco,

Te domina.

Quando você menos espera

Ela passa a ser você.

Ela te define

Controla.

A respiração fica lenta,

Fraca.

Mãos trêmulas

Nada está bem.

Há também o medo

Na verdade, tudo é bem baseado no medo.

Nasce e cresce,

Parida e alimentada pelo medo.

O medo do corpo falhar.

Medo dessa dor ser o corpo cobrando

Por toda agressão,

Todos os anos

De massacre lento,

Suicídio estudado,

Desprezo por cuidado.

Medo da justiça natural do corpo.

Medo de ser tarde demais.

Freitas, V.

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