Lírios
Ele trazia nas mãos os mais belos lírios,
Alvos qual vasos de porcelana antiga; bem feitos;
Pontos cor púrpura os manchavam, perfeitos;
Ela jazia ao chão em infantis delírios,
A mais bela ninfa a cruzar suas vistas.
Refletia o sol, dourada que era;
Havia, no solo em volta dela
Marcas de cinzas ritualísticas
Queimadas horas antes em sua invocação.
Pernas longas e nuas
Lânguidas, salpicadas de fuligem e suor
Se cruzam, relaxadas.
Duas esmeraldas fitam o firmamento com desdém
Zomba da criação, a nova criatura
Ri da aversão, criança linda e nua .
Suas mãos se apoiam no chão sobre o sangue de outrem
Os passos dele, cada um mais vacilante,
Se aproximam do círculo de cinzas
E os olhos, mais negros a cada instante,
Admitiam aquela silhueta curvilínea.
Passo a passo, na direção do círculo,
Os lírios branco-purpúreos tornam-se cinzas
Pétala a pétala unindo-se ao solo,
Pequenos e pobres expurgos
Terrenos e nobres expulsos
Do ventre da terra.
Levados pelas cinzas ao ventre da morte.
Ela sorri, sanguínea.
Seus olhos trazem dor ao alvo.
Sua voz soa como a de centenas de crianças
Pirracentas gritando de prazer ao mesmo tempo
E agradece:
Seus presentes são bem vindos.
V. Freitas
