A tensão da ansiedade que trouxe a hipertensão

“Parece uma escola de samba”, disse em tom de brincadeira a enfermeira que fazia meu eletrocardiograma. O resultado? 133 batimentos por minuto. Ouvir isso já foi um sinal de alerta para o que estava por vir na consulta com o cardiologista que iria me atender. Ahh, o estado de alerta. Tem sido tão presente na minha rotina, mais até do que eu gostaria. Esse estado permanente de que algo não tão bom irá acontecer foi o que levou minha pressão arterial aos impressionantes resultados de 18x11, 16x8, 17x6, em dias alternados. Mas…por que logo comigo?

Sempre ouvi as pessoas próximas falarem impressionadas sobre minha tranquilidade e a serenidade com que levava a vida, desde pequeno. E de fato, sou um cara que não demonstra muito descontrole perante minhas emoções e tento manter o equilíbrio na maioria das vezes, afinal, inteligência emocional é uma vantagem que pode fazer a gente ir longe. E eu sempre usei muito bem esse artifício em várias esferas da minha vida. Só que o tempo passa e a gente vai se transformando, seja em coisas positivas ou outras nem tanto.

Considerando que vivemos em uma sociedade cada vez mais competitiva e que exige a perfeição sempre, é natural que a pressão faça com que a gente titubeie. E aí está um traço da minha personalidade que favoreceu muito o surgimento da ansiedade. Conversando com minha psicóloga, ficou claro que a pressão que eu mesmo me impus desde criança em me superar sempre, tentar ser o melhor, seja por fatores sociais ou por minha vontade mesmo, um dia iria trazer a conta. Tentar ter o controle de tudo nos faz ser tão vulneráveis quanto quem não está nem aí. Nos tornamos suscetíveis à frustração, o que faz gerar preocupações, medos quase incontroláveis e por aí vai. Está instaurada a menina ansiedade patológica. Aquela que traz uma angústia no peito tão sufocante como um aperto. Que nos faz fugir do presente e imaginar futuros não tão agradáveis.

E, logicamente, o nosso organismo sente os efeitos de tudo isso. No meu caso, veio o momentâneo diagnóstico de hipertensão (até então, não sei se é só emocional ou crônica). O ótimo cardiologista que está me acompanhando quer investigar tudo, mas acredita que as minhas emoções são as responsáveis pelo atual desequilíbrio. Considerando que recentemente eliminei quase 10 kg com uma reeducação alimentar e não posso ser considerado um sedentário (pedalo algumas vezes por semana), isso é bem provável. Enquanto não há um veredito, vou tomando os medicamentos para controlar a bomba relógio e tentar ter uma rotina tranquila.

E o que tenho feito pra voltar a sempre o que sempre fui? Diminuir o ritmo, valorizar mais presente, tentar me preocupar menos com o que não está sob o meu controle. Claro que há dias em que isso é possível e outros não, mas a gente vai vivendo. Quero levar tudo isso como mais um aprendizado no que diz respeito ao que realmente importa: olhar mais pra mim mesmo. Vivemos em uma bolha de tantas cobranças e responsabilidades que esquecemos desses detalhes tão simples que o dia nos oferece, como dar atenção ao momento da comida, à respiração, ao momento presente…

O melhor de tudo isso são as ótimas alternativas que tenho encontrado para corrigir esse rumo, como a meditação, os exercícios de mindfulness, o Thetahealing, a conexão espiritual, ou simplesmente ouvir uma música que gosto, assistir minhas séries atrasadas, colocar a leitura em dia, enfim.

E assim vou levando. Minha busca pela paz será uma grande oportunidade para um reencontro comigo mesmo e acredito que sairei dessa como um ser humano bem melhor e mais leve. Que assim seja.