andar na rua

existe essa história de que andar na rua é arriscado, que um piano ou vaso de violetas podem cair na sua cabeça e adeus mundo cruel. Sim, esse trem é verdade, mas acontece com pouca gente. Já aconteceu comigo. Uma vez eu estava andando pela rua São Paulo quando um pneu estourou em cima de mim, a sorte foi eu estar usando mochila lateral, que me protegeu do choque. Canetas, lápis, tampinha de creme dental, tudo virou migalhas. Ganhei uma mancha roxa na bunda por alguns dias.

No mais, tenho muita dificuldade em andar na rua, apesar de ter duas pernas, ambas do mesmo tamanho e tônus para colocar uma na frente da outra de forma compassada, o que me permite sair de um ponto e chegar a outro.

As dificuldades são externas.

Se estou andando e tem alguém na minha frente, meu primeiro impulso é ultrapassá-la, caso contrário, prefiro parar e esperar que ela tome distância. Deve ser um princípio de TOC, mas acontece. Nesses casos, tem aquelas pessoas que criam um campo de força que ocupa toda a calçada e não deixa que ninguém passe a frente dela. Aí é melhor arriscar colocando o pé na rua para chegar adiante.

Durante a noite toda essa tensão se multiplica por cem, principalmente quando só há você e outra pessoa na rua. Homens jovens costumam ser tranquilos e ignorar minha presença, se gays, dão uma leve coçadinha no saco (ou param pra fazer xixi, sim isso acontece). Mas as mulheres… essas costumam ficar tensas e segurar a bolsa com medo de que eu as assalte. Isso já me fez cogitar roubá-las de verdade só pra não frustrar expectativas e garantir uma fonte de renda extra. Ainda não descartei de todo o projeto.

Curtir isso:

Curtir Carregando…

Relacionado


Originally published at autofriccao.wordpress.com on October 26, 2011.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated viniciusluiz’s story.