
Em defesa dos partidos
Porque eles podem e devem participar das manifestações
O Brasil tem muitos partidos, 30 para ser mais exato. Outros 30 estão em vias de formação para aumentar o cardápio, mas não necessariamente oferecer pratos com sabores diferentes. Não acho que o Brasil precise de tantos assim, mas estou aqui para defendê-los da fúria das manifestações. Nem preciso dizer que o primeiro argumento é que é antidemocrático impedir que uma organização da sociedade tome parte do movimento, isso deveria ser mais que óbvio para uma marcha que pede por mais democracia.
Entendo que haja um descompasso entre os anseios da sociedade e as três dezenas de legendas que nos “representam” nas casas legislativas e nos executivos. Mas neste momento em que todo mundo sai pra rua para ser ouvido, para dizer “quero isso, quero aquilo, não quero desse jeito, mas daquele”, expulsar os partidos do diálogo é manter a lógica que já está estabelecida. Ano que vem teremos eleições e esses mesmos partidos hostilizados agora vão se organizar e apresentar candidatos. Teremos que escolher entre eles. É no mínimo razoável, portanto, que essas legendas estejam também nas ruas para ouvir e perceber o recado dado pela população (ainda que esse recado não seja tão claro assim).
Pode parecer que esses partidos estejam procurando as ruas apenas para tirar vantagem eleitoral. Mas vamos combinar que partidos foram feitos para ganhar eleições e colocar em prática suas políticas. Do lado de cá, temos nosso voto para dizer sim ou não a essas propostas, apoio que podemos manter ou retirar a cada quatro anos. Democracia é só isso? Só queremos votar e pronto? Não, tanto não é que tem gente na rua deixando claro que quer e não estamos em ano de eleição.
O que quero dizer é que de nada adianta colocar o bloco na rua, fazer milhares de cartazes, postar fotos no Instagram, discutir com os amigos, pedir a redução das passagens, lutar contra a PEC, se isso não se converter em mudanças lá na frente. E se existe algo que pode ser alterado, pela via democrática, é a representação legislativa. A menos que você considere que não precisamos de Congresso e que um presidente com plenos poderes resolva tudo (o nome disso é ditadura).
Portanto, vamos aproveitar que os partidos estão nas ruas não para expulsá-los, mas para colocá-los em sintonia com a mensagem (seja ela qual for) que queremos passar. É bem melhor que abrir mão deles pra reclamar depois.
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