Não me deixe ser feminista sozinho

Ser mulher não parece moleza. Ter alterações no humor por conta de hormônios não deve ser divertido, nem sangrar uma vez por mês ou carregar crianças na barriga por quase um ano. Essas são coisas que por mais que eu me esforce jamais vou saber exatamente como funcionam por falta de prática. Apesar disso, faço o que posso para compreender as mulheres e defender seus direitos. É que sou feminista. Você pode achar estranho isso partir de um homem, mas ao contrário de Chacrinha, vim pra esclarecer, não confundir.

Muitas meninas tem ojeriza ao título de feminista. Acho que é medo de caírem no estereótipo da mulher solteirona e masculinizada, construído ao longo dos anos pelos inimigos das feministas históricas. É aí que entram frases do tipo “não quero ser feminista, quero ser feminina” ou “sou contra o feminismo porque acho que todos devem ser iguais”. Menina, o feminismo defende exatamente isso, que todos sejam iguais, não que as mulheres transformem os homens em capachos. Aí não, né?

Para ser feminista não é preciso queimar sutiã, deixar de usar batom ou rímel. Basta ter em mente que homens e mulheres devem ter direitos iguais. E nisso todo mundo deve concordar comigo. É não aceitar, por exemplo, que a vítima de estupro seja responsabilizada pelo crime por usar “roupas provocantes”. Ou que lhe digam que você não pode fazer engenharia civil porque não é coisa de menina. Ou ainda que mulher tem que dar conta sozinha de lavar, passar, cozinhar e ainda ser gostosa.

Pode parecer exagero falar nisso em pleno 2012, mas basta dar um giro pelas estatísticas para ver que mulheres ainda tem muito espaço para conquistar, e infelizmente, muito que se defender. Você como parte interessada da história precisa adicionar um pouquinho de feminismo ao seu feminino. Vai ser melhor pra todo mundo.

Publicado na Revista Gloss — janeiro/2012

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Originally published at autofriccao.wordpress.com on March 8, 2012.

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