Quem tem medo de Marina?


Desde que Marina Silva se tornou a candidata do PSB à presidência e passou a ter chances reais de levar o caneco, tenho lido opiniões internet adentro sobre um certo “medo” em encarar uma possível gestão da mulher da Rede. O medo vem principalemente de uma possível postura conservadora da candidata, que viria do fato dela ser evangélica. Dá a entender que se eleita, ela vai ignorar solenemente os direitos LGBT, vai passar longe de discussões espinhosas como aborto, legalização das drogas e abolir o Estado laico.

Acho que não é bem por aí. Marina Silva tem suas posições pessoais, baseadas na sua doutrina sim, mas isso não representa que ela vai instituir uma ditadura teocrática no Brasil. Dizer isso é desconhecer a história dela (alô Paty Poeta), de passado de lutas democráticas, participação nas Comunidade Eclesiais de Base da Igreja Católica, defesa das minorias no Acre, atuação no Senado e por aí vai. E mais: o fato da pessoa ser evangélica não significa que ela seja uma jihadista disposta a obrigar todos a aceitar e adotar sua visão de mundo. Pelo seu histórico de vida, não acredito que ela tenha esse perfil. Pra completar, o programa de governo dela avança mais na questão LGBT que o de Aécio e Dilma, mesmo com todas as correções.

Dito isso, Marina me deixa com uma interrogação na cabeça por outros motivos. Depois que ganhar, ela vai precisar encarar a política real, afinal o Congresso não estará contaminado pelo discurso evasivo da nova política, serão as mesmas raposas de sempre, à caça de cargos e emendas. Como ela vai fazer pra amansar essa galera? Vai fazer longos discursos até convencer a todos ou vai se entregar à negociação? Meu medo (olha ele aí) é que a instransigência no trato faça com que uma crise entre legislativo e executivo trave o governo, e por consequência, o país. Outra coisa: a política econômica dela vai pra que lado? Vai conseguir reduzir a inflação, como prometia Eduardo Campos, e manter os mesmos níveis de emprego?

Precisamos ter cuidado para não cair nas armadilhas colocadas por campanhas adversárias na disseminação do medo a determinados candidatos. Isso só enfraquece e empobrece o debate. Em 2002, apregoavam o caos caso Lula fosse eleito, o que não foi provado. Tentaram emplacar o medo novamente com a Dilma, e também não tivemos o fim do mundo. Às vezes nos assustamos com fantasmas inexistentes, enquanto outros monstros se escondem no armário.

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