Xuxa e os melões

Como 90% das crianças nascidas na década de 80, fui fã da Xuxa. Minha mãe conta que a Xuxa ganhava todos as enquetes sobre o que eu mais gostava: Você prefere mamãe ou mamadeira? Mamadeira. Mamadeira ou Xuxa? Xuxa. E ainda chorava como se ela nunca mais fosse voltar da nave no fim do programa. Mas no outro dia ela estava ali, a amiguinha de todas as manhãs.

E foi nessas de gostar por demais da Xuxa, que aprendi a gostar de melão. Não sei se você se lembra mas todas as manhãs ela tomava um café abastado, bem mais farto que a maioria das crianças que estavam de frente à tela. Desses cafés tirei duas coisas que trouxe pra vida: uma é passar a casca do mamão no rosto depois de comer (coisa que eu fazia naquela época e que pode não ter melhorado minha pela, mas certamente me fez mais gay), a outra é comer melão. Xuxa comia uns dois cubos da fruta amarela, convidava alguma criança feia da década de 80 pra comer morango e deixava o resto na bandeja com o Gigio (o paquito do café). Ver a cena todos os dias me fez convencer a mãe a incluir a fruta na lista de compras, algo bem complicado se a gente lembrar que naqueles anos a inflação comia metade do salário e um melão podia custar 1 milhão de cruzeiros, segundo estimativas que acabei de criar.

O caso é que ela acreditou na influência positiva da Xuxa e pôs melão no cardápio e eu pus na barriga. Passado um tempo, quando tive hepatite, ganhei um melão vermelho de uma vizinha que disse que a fruta veio do Pará e ajudava a curar a doença. Não consegui achar imagens no Google e fico em dúvida se a vizinha mentiu o nome da fruta ou se eu estou mentindo sobre isso, as duas hipóteses podem ser verdade.

Sei que voltei a lembrar de melão com todo o auê causado pela volta da apresentadora. Passeando pelo supermercado vi uns três tipos diferentes e tive impulso de levar um. Primeiro questionei minha sanidade mental, por que um melão e não uma fruta mais popular? Por que não maçãs, uvas, bananas ou até mesmo uma ameixa? Não tinha uma explicação elevada ou ao menos razoável. Lembrei dessa história da Xuxa, botei o melão no saco e toda vez que tiro uma fatia do melão, é como se entrasse numa nave.

um melão

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Originally published at autofriccao.wordpress.com on November 15, 2012.

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