HADDAD VÊ O FIM

Haddad não é o santo imaculado que alguns apontam.

Quem vive os dois lados da gestão Haddad sabe bem o porque da sua falta de apoio pela população. Os paulistanos deram um voto de confiança nele por não confiarem mais no candidato Serra nas eleições para prefeito de São Paulo em 2012 — o candidato do PSDB sempre abandonava seu cargo deixando nas mãos de pessoas que em nada desenvolveram a cidade.

Queriam mudança, e não tapação de sol com a peneira.
Quem vive de fato em parques e todos os ambientes que o “discurso saudável” fala — que as pessoas da cidade não preferem ao recusar F.H. — sabe bem que não há mais investimentos, e que alguns deles apresentam até um belo desnível de qualidade quando se trata de manutenção das áreas comuns nos últimos anos.

Sobre a redução das marginais não há nem o que falar; não existem motivos para crer que tal atitude diminuirá acidentes com mortes — muito pelo contrário, como demonstra essa reportagem sobre uma pesquisa em Utah — Estados Unidos: http://www.estadao.com.br/jornal-do-carro/noticias/servicos,velocidade-alta-diminui-acidentes-nos-eua,22336,0.htm
E nem adianta usar a desculpa que Nova Iorque diminuiu acidentes diminuindo a velocidade, porque os casos são muito diferentes: NYC foi teve alteração de velocidade dentro dos trechos urbanos e bairros. Utah — assim como SP — teve redução nas rodovias e extensões de rodovias, que é o caso de tanto alvoroço e revolta por aqui.

Alguns pontos que as pessoas esquecem, ou simplesmente não sabem a desfavor do atual prefeito é que:

1 — Há uma total falta de planejamento com as ciclofaixas — que deveriam ser cicloVIAS — e um estudo mal pensado de mobilidade urbana e arrecadação financeira para a cidade: http://entretenimento.r7.com/blogs/palavra-de-homem/ciclofaixas-questoes-que-eu-gostaria-de-perguntar-ao-prefeito-haddad-20140911/

2 — Como a pessoa que escreveu o texto diz, Haddad não governa para pobres e miseráveis, muito pelo contrário. Ele se cala quando deveria justamente se posicionar firmemente, como mostra nessa outra reportagem e de outro autor: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/laura-capriglione/haddad-assume-dupla-face-cala-se-sobre-a-violencia-165938443.html

3 — Como de praxe, na maioria das vezes as pessoas tem a tendência de esquecer das promessas feitas pelos candidatos, mas uma que sempre se mantém bem fresca em minha cabeça é a que Haddad disse que entregaria os prédio abandonados de SP para os Sem Teto, e até agora está calado sobre o assunto e só o que vimos até agora foi o oposto: http://ponte.org/exclusivo-imagens-de-dentro-do-predio-do-despejo-da-ocupacao-sao-joao/

Lembrando que:

  • Eu sou a favor de ciclovias — desde que feito o planejamento adequado.
  • Eu sou a favor de mais faixas de ônibus — desde que haja mais investimento em quantidade e qualidade dos mesmos.
  • Eu não sou “contra” o Haddad — até porque, eu votei nele também.
  • Questões como recapeamento das ruas foram ignorados ou feitas muito porcamente — coisa que ele poderia investir melhor, diferente de seus antecessores. Assim haveria uma melhoraria de fato na mobilidade tanto de quem usa carro ou bicicleta — isso sim é um fator de gestão democrática.
  • A acessibilidade para portadores de necessidades especiais foi completamente ignorada. São Paulo com todo seu tamanho e importância econômica ainda funciona de forma pré-histórica quando se trata de semáforos para daltônicos, rampas e calçadas para cadeirantes, sinais sonoros para deficientes auditivos atravessarem a rua, e etc — sendo que isso é muito mais comum nos interiores do Estado.

Provavelmente Haddad perderá sim de lavada nas próximas eleições a prefeito. A culpa é só dele. Tudo o que fez foi puro marketing para alcançar aqueles que se acham “defensores da coletividade” — e conseguiu muito bem enganar esses. Provavelmente receberá um belo convite para ser ministro de qualquer coisa ou secretário de uma coisa qualquer.

O paulistano se sentiu traído por Haddad da mesma forma que se sentiu traído por Serra — perdeu uma grande chance de fazer diferente, fazer melhor. O novato a cargos por voto nas urnas do PT pecou por agir apenas pela emoção e muito pouco pela racionalização.
Muito provavelmente a cidade optará mais uma vez pelo “novo” com o candidato Datena; e a única que provavelmente poderá disputar isso é a Marta Suplicy — que já tem uma história que os conterrâneos consideram positiva de forma geral e já não faz mais parte do Partido dos Trabalhadores.

Fernando Haddad reclamou na última semana da falta de democracia nas mídias ao criticá-lo, porém é exatamente isso que talvez falte de fato no prefeito — que não usou da mesma democracia ao tomar decisões para com a vida dos paulistanos, buscando participação e opinião da sociedade. É certo que as pessoas raramente sabem o que realmente querem, e por conta disso ele preferiu tomar decisões por conta e risco; o que obviamente abre o leque para uma grande vitória ou um terrível fracasso.

O futuro então de Haddad ficará muito provavelmente ligado a cargos menores e consequentemente cairá no esquecimento.

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