O Brasil da Copa e a certeza de uma crise financeira

O que os gringos vão ver, e o que a gente não pode mais tapar os olhos


A Copa chegou: folia, diversão, verde, amarelo e nacionalismo barato.

Depois de tanto tempo aguardado, a Copa (que ainda nem começou oficialmente) já tem dado sinais daquilo que todo mundo já sabia que ia acontecer: escândalos, fraudes, licitação ilícitas, gringo sendo roubado, gente sendo morta, manifestante apanhando, e a presidente sorrindo, falando do orgulho da Copa das Copas — supostamente — no Brasil.

Não quero entrar nos méritos políticos do que governo e oposição vem fazendo; é um jogo de xadrez em que ambos tem seus peões prontos para serem devorados e seus cavalos, torres, bispos e rainhas de prontidão para dar um golpe certeiro que irá decidir o futuro de quem está cotado para assentar na cadeira de presidente do país.
Sim, a coisa vai apertar muito ainda. 2014 é ano de eleições e o caldo grosso mesmo só vai entornar entre o fim da Copa e meado de Setembro/Outubro. Até lá a briga política é como briga de mulher: um dá puxão no cabelo do outro, dá tapa e sai correndo, caem os dois juntos no chão aos berros e pontapés. Mas ninguém de fato tá ganhando ou perdendo algo — ainda.

Por ser um ano de eleição e infortunadamente, de Copa; os gastos estão estratosféricos. Por mais que todos saibam o resultado desastroso dessa Copa — que nem precisava do povo contra pra ser um show de falta de planejamento, desorganização e vergonha mundial — os gabinetes de governança não querem passar feio, então tiram o pão dos filhos para dar aos estrangeiros, melhor acomodar sua viagem, suas estadia, seus gastos. Claro, nada disso vai funcionar. Tanto brasileiro como estrangeiro vão ficar desamparados, porque mais da metade do dinheiro “cai” no meio do caminho no bolso de alguém muito do espertalhão. Até o momentos os gastos são de 28 BILHÕES de reais, o suficiente pra criar mais de 97 mil postos de saúde equipados, mais de 2 milhões de salas de aulas equipadas, contratar mais de 2 milhões de professores do ensino fundamental, e por aí vai. Dá pra se ter uma ideia. E esse é só o valor dos gastos, ainda teremos que arcar com o valor dos prejuízos.

Como qualquer administrador, industrialista, financista, economista sabem; ano de eleição também é o ano de gastar dinheiro com o governo. E nem precisa ser com prefeito ou governador não. As partes mais abaixo do poder também querem a parte deles. E não é barata não.
É o ano onde os fiscais, a polícia civil, e tantos outros apertam os cintos de quem injeta dinheiro do país para receberem sua cota de corrupção. Errado? Feio? Ruim? Evidentemente que é. Porém já que os poderosos, os que estão em um patamar muito acima de qualquer outro ser humano comum estão ganhando o dinheiro sujo deles, não são os que estão de baixo que vão se prestar a ficar sem ganhar um “por fora” também. E isso acontece todo ano, só que em ano de eleição eles gostam de apertar mais ainda o cerco.
E sem apoio financeiro do governo, que só sabe dar isenção de impostos pra quem já tem muito dinheiro, como a Hyundai, e que adora cobrar uma média de até 30% do valor gerado por empresas de médio porte, a indústria de forma geral não vai nada bem por aqui. Todos querem sua fatia do bolo e o país vai ficando cada vez mais desnutrido. E ai daqueles que ousarem não abrir mão amigavelmente desses valores; conheço um empresário que se negou a pagar a bagatela de 200 mil reais a um desses extorquistas a sete anos atrás, entrou com uma denuncia, e até hoje recebe represálias deles. Isso quando não fazem pior: fechar seu negócio por qualquer desculpa e te dar uma multa milionária. Porque eles conseguem fazer isso, não se engane. E não tem poder público que te ajude.

Então o Brasil daqui pra frente será assim: Todo mundo retira dinheiro, ninguém repõem, o brasileiro paga, a indústria paga, a crise dá as caras (questão de tempo ela estourar de verdade, mas já está batendo à porta), lembramos que tudo que acontece por aqui gera dívidas, o turismo cai, o mercado não anda, o dinheiro não gira e o país quebra.

Muito obrigado pela visita, gringos. Desculpem pelos ladrões, assassinos e estupradores à solta, e pela falta de interesse em darmos as acomodações adequadas que vocês gostariam; não estamos em clima pra festa. O país estará temporariamente fechado, o último que sair apague a luz.